Domi Becker

Jornalista e criadora de conteúdo, cobriu grande eventos esportivos pelo mundo antes de viajar por 60 países. Agora se prepara para a Copa 2027

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Muito cuidado em dia de jogo

Violência doméstica contra mulheres aumenta quase 30% em dias de jogos de futebol; não dá mais para ignorar

06/09/2026 às 15:18 · Atualizado há 1 mês
violência contra mulheres aumenta em dias de jogos
Violência contra mulheres aumenta em dias de jogos de futebol no Brasil (Boom/Pexels)

Imagina essa cena: está rolando um jogo numa arena e, do outro lado da cidade, uma pessoa que não torce para nenhum dos dois times, não foi ao estádio e nem está vendo a partida, termina a noite apanhando. Parece absurdo, né? Mas essa é a realidade do nosso futebol. Em dia de jogo, a violência contra a mulher aumenta quase 30%. Entre as jovens de 15 a 29 anos, esse número é ainda mais absurdo. Chega a 44%.

Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizada com apoio da Magazine Luiza, comparou registros de violência contra mulheres com o calendário do futebol no Brasil e constatou que os registros de lesão corporal sobem 28,8% em dias de jogos.

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Essa violência não é novidade, mas ela não para de crescer. No estudo anterior, com dados de 2015 a 2018, os registros de violência aumentavam 20,8% nos dias de futebol. Não dá mais para ignorar. Precisamos assumir que essa é uma reponsabilidade de todos nós: torcedores, jogadores, jornalistas, dirigentes e clubes.

É preciso abolir a cultura da violência no futebol

E o mais assustador é que não adianta a mulher se esconder e esperar o jogo acabar. Essa violência acontece dentro de casa. É desesperador, né? E aí sempre aparece alguém: “Ah, mas eu vou para o estádio e não bato em ninguém, o que eu tenho a ver com isso?”

Tem. Quantas vezes você já ouviu que o jogador precisa aprender a ser homem? Que isso significa ser forte, ser agressivo, não chorar. Quantas vezes você já viu um adversário ser humilhado porque ele corre como uma mulher ou joga como uma mulher?

Isso ajuda a alimentar essa cultura que coloca violência, dominação e masculinidade tudo no mesmo pacote. E para o machão aí que acha que controlar uma mulher na base de violência faz dele mais homem, fique sabendo que não tem nada mais patético e broxante do que um homem que não sabe lidar com os próprios sentimentos.

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Temos que incentivar uma nova cultura em que o homem de verdade, aquele com H maiúsculo, o fodão, é o cara que sabe sentir. Que chora e fica frustrado, mas não desconta em ninguém.

Em caso de emergência, ligue 190.

Para denúncias de violência, ligue 180.

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