Escrever sobre futebol: a ficção é repelida pela memória do torcedor, diz Sérgio Rodrigues
No Notas de Rodapé, o autor de “O drible” reflete sobre a criação do craque fictício Peralvo e o combate ao racismo estrutural no futebol

Autor do romance “O drible” e vencedor do prêmio Portugal Telecom de Literatura de 2014, Sérgio Rodrigues compartilhou, no programa Notas de Rodapé, do Amado Mundo, reflexões sobre as dificuldades de se misturar literatura e o esporte mais popular do país. Para o escritor, a criação de narrativas ficcionais sobre o futebol esbarra na paixão e na memória dos fãs.
“O futebol é uma obra fechada, ele é completo, ele é autossuficiente, ele não precisa da ficção”, disse.
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A criação de Peralvo e a síntese do Brasil
Para contornar a resistência do realismo, o escritor criou Peralvo, um craque com poderes mágicos, fruto do relacionamento de uma mãe de santo com um marinheiro norueguês. Ele descreve a criação como uma tentativa de dar sentido literal à famosa “magia do futebol brasileiro” e construir uma síntese “macunaímica” da brasilidade.
“Essa é a razão principal de eu ter feito o Peralvo jogar no América quando ele veio pro Rio de Janeiro, porque o América-RJ é um time que já é um fantasma”, brincou o autor, explicando que usar times de massa causaria rejeição imediata dos fanáticos.
Racismo e futebol apátrida
Rodrigues também abordou o machismo e o racismo estruturais presentes no futebol. Ele elogiou a postura do jogador brasileiro Vinicius Júnior, o classificando como “o primeiro jogador de elite que resolve peitar o racismo dentro de campo”. O escritor aplaude o serviço prestado pelo atleta no combate ao preconceito.
Na conversa, ele também avaliou que a paixão pela seleção brasileira e pela Copa do Mundo se diluiu com os anos, pois as formas de jogar futebol se globalizaram e se tornaram “iguais”.
Assista ao Notas de Rodapé na íntegra: