Lipedema: o que muda no diagnóstico com o primeiro consenso mundial da doença
Especialista Mithra Cherici esclarece quais são os principais sintomas da condição e detalha como a tecnologia vem auxiliando no diagnóstico correto
Luiza Barufi

Você já sentiu que, por mais que seguisse dietas rigorosas ou mantivesse uma rotina de exercícios, o volume das suas pernas parecia não mudar? Para milhões de mulheres, o que era tratado apenas como “gordura localizada” ou “falha” na dieta acaba de ganhar um novo capítulo na ciência mundial.
Em janeiro de 2026, a Lipedema World Alliance publicou o primeiro Consenso Internacional sobre a doença. O documento, que reuniu especialistas de 19 países, estabelece marcos inéditos para o diagnóstico e o tratamento do lipedema — uma condição inflamatória crônica no tecido adiposo que afeta cerca de uma em cada dez mulheres no Brasil.
Mais que estética: uma questão de saúde
A grande mudança trazida pelo novo consenso é o reconhecimento da dor como sintoma central, e não apenas o acúmulo desproporcional de gordura.
O documento reforça que o lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo totalmente distinta da obesidade, embora ambas possam coexistir, como esclarece Mithra Cherici, médica especialista em Medicina Integrativa (Einstein) e Esportiva.
Segundo ela, a confusão entre as duas condições ainda é o maior obstáculo para as pacientes:
“A obesidade está relacionada a estilo de vida e alimentação. Já o lipedema é uma doença que envolve o tecido de gordura, mas que não acomete só pacientes com sobrepeso ou obesidade”.
Uma doença feminina
O lipedema é quase uma exclusividade feminina devido à sua forte base hormonal. Segundo a especialista, a doença costuma dar os primeiros sinais ou se agravar em fases específicas da vida, como na primeira menstruação, durante a gestação ou na menopausa.
Visualmente, um detalhe é fundamental para o diagnóstico clínico: a preservação dos pés.
“Diferente da obesidade, o lipedema poupa os pés e as mãos. Ele vai literalmente até o tornozelo. Aí você olha o pé e parece que é o pé de outra pessoa, porque o pé é magrinho”, detalha a especialista.
Tecnologia e o caminho para o controle
Embora o Consenso de 2026 confirme que ainda não existe um exame de sangue específico (o diagnóstico permanece soberanamente clínico), a tecnologia de imagem tornou-se a maior aliada da medicina integrativa. Exames como a densitometria de corpo inteiro e o ultrassom de parede permitem mapear a fibrose e a nodulação da gordura com precisão.
E se a pergunta é se existe cura, a resposta da ciência é focada na qualidade de vida: “Não tem cura, mas tem controle. Envolve mudança de estilo de vida, alimentação e medidas anti-inflamatórias. O primeiro passo é a terapia de compressão”, afirma Cherici.
O consenso atual defende ainda que o sucesso do manejo está na abordagem multidisciplinar: cuidar do físico, do mental e utilizar as tecnologias de recuperação disponíveis para aliviar a fadiga e a dor.
Quer entender como o lipedema impacta a performance esportiva e ver os detalhes dos novos tratamentos tecnológicos?
Confira a entrevista com a especialista Mithra Cherici no Tech Tech Tech Saúde: