Existe um plano de encarceramento em massa no Brasil, afirma rapper Dexter
O rapper reflete sobre os 35 anos de carreira, o impacto dos Racionais MCs e um sistema que lucra com a falta de educação nas periferias

Marcos Fernandes de Omena, o Dexter, um dos maiores ícones do rap nacional, declarou no programa Notas de Rodapé, do Amado Mundo, que o Brasil vive um projeto deliberado, no qual a falta de investimento em educação serve para alimentar presídios e ajuda a enriquecer setores específicos.
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“A falta de escola ajuda a encher o presídio, e tem muita gente que fica rico com isso. Existe um plano de encarceramento em massa no Brasil”, disse.
Luz no quarto escuro da ignorância
Dexter descreveu seu encontro com a música “Pânico na zona sul”, dos Racionais MCs, em 1989, como uma “tijolada na mente”, que acendeu uma luz em um “quarto escuro de ignorância”. Ele defende que o rap ocupa o lugar que o Estado negligencia, servindo como pai, professor e guia para os jovens periféricos, além de proporcionar, na visão do músico, uma consciência política que a escola padrão falhou em entregar.
“Como você quer falar de ressocialização num país onde as pessoas nem sequer são socializadas?”, questionou.
Dexter: o sistema não nos quer inteligentes
Durante a entrevista, o rapper relembrou o período em que esteve no sistema prisional e seus esforços para democratizar o acesso à leitura. Dexter relatou que chegou a idealizar e montar uma biblioteca e salas de aula em uma unidade em São Vicente, com recursos próprios no projeto. No entanto, apenas uma semana após a inauguração, ele foi transferido para uma cadeia de segurança máxima.
“O sistema não nos quer inteligentes, não nos quer sábios”, concluiu. Ele definiu o episódio como o “preço da revolução” mental que tentava promover.
Assista ao Notas de Rodapé na íntegra: