O futebol contempla a injustiça e reflete a sociedade, afirma Arthur Dapieve
No Notas de Rodapé, autor da novela “Maracanazo” discute a dificuldade de transformar o esporte em arte, as tensões políticas nas arquibancadas e os reflexos sociais nos estádios

Jornalista e autor do conto “Maracanazo”, do livro homônimo, Arthur Dapieve afirmou, ao participar do programa Notas de Rodapé, do canal Amado Mundo, que o futebol é um dos poucos esportes em que os times considerados “piores” conseguem de fato ganhar de equipes tidas como maiores e melhores. De acordo com ele, essa imprevisibilidade reflete a sociedade, de certa forma.
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“O futebol contempla a injustiça. No vôlei e no basquete não há possibilidade de um time inferior ganhar do time superior. No futebol tem isso o tempo inteiro”, disse. Dapieve também destacou a dificuldade de se fazer arte, no caso a da escrita, com base em outra forma de arte, o futebol.
A política e o drama em ‘Maracanazo’
A obra do jornalista surgiu a partir de uma provocação de editores franceses para o Salão do Livro de Paris, que homenagearia a Copa do Mundo de 2014. Ao assistir à partida em que o Chile eliminou a campeã Espanha de forma surpreendente, ele decidiu explorar o drama histórico das duas nações.
Centrado no embate entre a “colônia e a metrópole”, o escritor construiu sua trama em torno do choque entre uma jovem chilena de esquerda e um espanhol franquista. Para ele, nas histórias de esporte “o que interessa é o drama das pessoas na arquibancada”.
Futebol é um reflexo dos problemas e avanços da sociedade
Dapieve também enfatizou que o universo futebolístico não atua de forma isolada, mas como um espelho de seu tempo. Segundo ele, o machismo impregnado no esporte serve de um exemplo de como os estádios seguem a evolução, por vezes lenta, da sociedade.
“O futebol não é uma ilha, ele reflete a sociedade que tá em torno. Então, os pequenos avanços da sociedade brasileira você percebe no entorno e dentro do campo”, observou.
Assista ao Notas de Rodapé na íntegra: