Crise no STF impõe a Lula dilema sobre distância de Moraes
Lula terá de achar uma maneira de separar a defesa do Supremo e das investigações sobre o golpe da defesa individual das autoridades, especialmente de Moraes

Joédson Alves/ Agência Brasil)
A crise que atinge o Supremo impõe um cálculo delicado à campanha de Lula. Flávio Bolsonaro tenta transformar as suspeitas envolvendo Moraes em argumento eleitoral e colar no presidente a imagem de um “consórcio” entre o Planalto e o STF. A resposta de Lula até aqui inclui um movimento de aproximação com Edson Fachin, presidente da corte, e a defesa de uma reforma do Judiciário. A dúvida é se isso será suficiente para neutralizar a ofensiva bolsonarista, que usou isso para levar milhares à Avenida Paulista no 7 de setembro.
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O desafio para Lula é encontrar a distância certa. Um afastamento mais explícito de Alexandre de Moraes e de autoridades hoje sob pressão poderia ajudar a responder à narrativa de Flávio. Mas alguns dos personagens atingidos pela crise têm ligação direta com o presidente: o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foram escolhidos por Lula.
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Da PF ao STF, a resposta ao golpe
Há ainda uma dificuldade maior. Moraes, Rodrigues e Gonet tiveram papéis centrais na resposta institucional à tentativa de golpe: a PF conduziu a investigação, a PGR apresentou a acusação e Moraes comandou o processo no STF. Lula precisa reagir às suspeitas atuais sem alimentar uma ofensiva contra instituições e sem colocar sob dúvida o trabalho que levou à responsabilização de Bolsonaro e seus aliados.
Os excessos do ministro André Mendonça – e a atuação dele no meio do processo eleitoral – incomodam o governo, mas a campanha corre risco de dar mais munição a Flávio Bolsonaro se tornar o magistrado um alvo.
Flávio percebeu esse flanco e já o incorporou ao discurso de campanha. Em ato nessa segunda-feira (7/9), afirmou que “esse consórcio de Lula com Moraes vai acabar” e acusou o presidente de ter indicado ministros do STF, o procurador-geral e o diretor da PF para perseguir Bolsonaro. A campanha petista dificilmente conseguirá atravessar a crise apenas defendendo as instituições. Terá de encontrar uma maneira de separar a defesa do Supremo e das investigações sobre o golpe da defesa individual das autoridades, especialmente de Moraes.