A boçalidade sempre foi escancarada, diz André de Leones sobre raízes do autoritarismo
O escritor goiano reflete no Notas de Rodapé sobre como o ultraconservadorismo em seu novo romance, "Meu passado nazista", ecoa a realidade brasileira

O escritor e filósofo André de Leones discutiu, no programa Notas de Rodapé, do Amado Mundo, como seu livro “Meu passado nazista” conecta-se com o avanço da extrema direita e o autoritarismo no Brasil. No livro, a narrativa atravessa o século 20 para expor uma parcela da sociedade que flerta há muito tempo com o preconceito e a violência.
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“Na minha experiência, essa boçalidade de preconceito sempre foi escancarada”, disse.
O “subsolo” que sempre esteve à mostra no interior
Durante a conversa, Leones argumentou que o ultraconservadorismo retratado em suas obras não é um fenômeno novo, mas algo que ele testemunhou desde a infância no interior de Goiás. Segundo o autor, atitudes de antissemitismo, racismo e homofobia eram externadas de maneira aberta em seu convívio, sem que houvesse pudor ou necessidade de esconder tais valores.
“Eu cresci no interior de Goiás, em uma cidade chamada Silvânia, que é onde se passa parte da história do ‘Meu passado nazista’. Lá, o ultraconservadorismo nunca foi escondido e suavizado”, declarou.
Ele mencionou, por exemplo, o caso real de um pai de um colega que costumava fazer a saudação nazista de forma recreativa, décadas antes de gestos semelhantes ganharem as manchetes globais com a repetição da mesma saudação por parte do primeiro trilionário do mundo, o empresário Elon Musk.
Para o escritor, a ascensão da extrema direita em 2018 no Brasil não foi uma surpresa, mas a emergência organizada de algo que já estava presente no cotidiano e nas conversas de bar.
André de Leones vê a esquerda desconectada com a “vida real”
O filósofo também comentou sobre o que percebe como uma falha de comunicação entre os campos progressistas e as populações mais pobres. Ele citou a eleição municipal de São Paulo em 2016 como um marco em que ficou evidente, em sua percepção, que a esquerda parece ter perdido o contato com a periferia, agindo como se não falassem mais o mesmo idioma.
Na visão do autor, essa lacuna foi preenchida por discursos que capturaram o ressentimento e a indignação de uma parcela da população que nunca foi plenamente alcançada por políticas de bem-estar social e que, diante da crise, se sente desorientada e instrumentalizada por ideologias autoritárias.
Assista ao Notas de Rodapé na íntegra: