Mulheres na ciência: as pesquisadoras brasileiras à frente de grandes descobertas em saúde
Conheça as mentes femininas por trás das maiores inovações em saúde no Brasil — da inteligência artificial aplicada à reabilitação ao combate estratégico de epidemias
Luiza Barufi

Imagine um cenário em que: a paralisia não é mais um diagnóstico definitivo, as vacinas contra doenças tropicais são criadas integralmente em solo nacional e o código genético de um vírus é decifrado em tempo recorde para salvar milhões de vidas.
Isso não é uma projeção para as próximas décadas, mas, sim, faz parte da realidade da ciência brasileira hoje, impulsionada por mentes femininas que ocupam a linha de frente da inovação tecnológica.
O código da defesa: Jaqueline Goes e Ester Sabino
A resposta brasileira à pandemia de Covid-19 teve um marco mundial: o sequenciamento do genoma do vírus em apenas 48 horas. A biomédica Jaqueline Goes de Jesus liderou esse processo, provando que a velocidade da tecnologia de dados é a nossa maior arma contra crises sanitárias. Sua atuação em vigilância genômica continua sendo fundamental para monitorar variantes e fortalecer redes de pesquisa na América Latina.
Mas para que essa precisão fosse possível, era necessária uma infraestrutura sólida. É aqui que entra Ester Sabino. Médica e referência em segurança transfusional, ela desenhou o “escudo tecnológico” que permite ao Brasil analisar epidemias com inteligência sistêmica. Enquanto Jaqueline Goes decifra o código, Sabino entrega a engenharia que mantém o sistema de saúde pública em alerta.
Soberania em dose única: Neuza Frazatti
Em novembro de 2025, o Brasil alcançou um feito histórico: o registro definitivo d avacina contra a dengue do Instituto Butantan. A mente estratégica por trás desse projeto de décadas é a de Neuza Frazatti.
Como gerente de projetos de inovação, Frazatti liderou o desenvolvimento de um imunizante de dose única que utiliza tecnologia 100% brasileira. Ao focar em uma solução para os quatro sorotipos da doença em uma só aplicação, a cientista garantiu que o Brasil deixasse de ser apenas um comprador de patentes estrangeiras para se tornar um exportador de soluções para doenças tropicais.
A nova era da reabilitação: Duda Franklin
A inovação também floresce no encontro entre a engenharia e o empreendedorismo. Duda Franklin representa a nova geração que lidera o setor de tecnologia em saúde. À frente da Orby, ela desenvolveu o Ortech, uma tecnologia que utiliza inteligência artificial para auxiliar o cérebro na recuperação de movimentos em pacientes com sequelas neurológicas. O trabalho de Franklin transforma cálculos matemáticos complexos em esperança e autonomia para quem busca reabilitação.
Medicina regenerativa e a polilaminina: Tatiana Sampaio
Para fechar o quadro de excelência, a fronteira da medicina regenerativa no país é liderada por Tatiana Lobo Coelho de Sampaio, da UFRJ. Pioneira na criação da polilaminina, Sampaio desenvolveu uma “ponte” biológica em laboratório capaz de auxiliar na reconstrução de conexões da medula espinhal e de nervos periféricos.
Através de sua startup, a BioPolymer, Tatiana faz o caminho que é o sonho de todo cientista: tirar a inovação da bancada da universidade e levá-la diretamente para o leito dos hospitais, recuperando movimentos que, até pouco tempo, eram considerados perdidos.
O futuro é tecnológico e feminino
Jaqueline, Ester, Neuza, Duda e Tatiana são provas vivas de que o avanço da ciência brasileira passa, obrigatoriamente, pelo protagonismo feminino. Elas não apenas descobrem novos caminhos; elas constroem as ferramentas que tornam o Brasil um player global na biotecnologia.
Confira o vídeo do Tech Tech Tech Saúde: