Reportagem

Mendonça usou ‘método lavajatista’ ao expor mensagens de Moraes e Vorcaro, diz ministro do STF

André Mendonça gerou crise no STF ao vazar mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, do banco Master

04/09/2026 às 12:33 · Atualizado há 1 mês
André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal. Crédito: Carlos Moura/ STF

André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), reproduziu um dos métodos associados aos da Operação Lava Jato durante a atual crise institucional gerada pelo embate com Alexandre de Moraes, segundo um dos ministros do STF.

“Falei ontem com um ministro que quer ver o André Mendonça pendurado, de cabeça para baixo na Praça dos Três Poderes. Ele me disse o seguinte: ‘Ele (Mendonça) usou um método lavajatista’ ao divulgar publicamente as conversas do Moraes com o Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Esse ministro é do grupo aliado ao Flávio Dino, que hoje publicou no Instagram um texto em que fala de liturgia e institucionalidade. O Lula também fala em institucionalidade. Você vê um discurso sendo construído e em que lugar estão colocando Mendonça”, analisou Guilherme Amado durante o Matinal, programa do Amado Mundo, nesta sexta-feira (4/9).

Lula (PT) se posicionou oficialmente sobre as mensagens entre Vorcaro e Moraes, afirmando que a democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. “A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisa de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo sem blindagem, doa a quem doer”, disse o atual presidente da República e candidato à reeleição.

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“O Lula falou como presidente da República, e não falou como candidato. Isso recupera a liturgia. É algo que está faltando para tudo nesse momento. O Lula fala sobre isso como chefe do Executivo, clamando por investigações, dizendo que a sociedade brasileira tem o direito de saber a verdade”, comentou o jornalista e colunista do Amado Mundo, na sequência.

Edson Fachin, presidente do STF, e a ministra Carmen Lúcia criticaram internamente, durante a terça-feira (1/09), o fato de André Mendonça ter estabelecido comunicação com o Procurador-geral da República, Paulo Gonet, de maneira pública, e não sigilosamente, informou Guilherme Amado.

O fato de Moraes incluir Mendonça no inquérito das fake news e pedir uma investigação pode mudar o cenário. “Moraes, de certa maneira, agora vitimiza Mendonça. Foi tão desproporcional colocar Mendonça no inquérito, mesmo que ainda não como investigado, que é importante fazer essa ressalva. Talvez o clima tenha mudado de ontem para hoje. A madrugada foi agitada no STF, sem dúvida”, concluiu Amado.

Leia mais: Moraes enquadra Mendonça no inquérito das fake news e pede posição de Fachin

Declarações de Flávio Dino

Muka também analisou a declaração do ministro Flávio Dino sobre a crise do STF. “Ao abordar uma crise, temos que avaliar o tempo. Não cronos, falo de kairós, o tempo oportuno. Se o sistema jurídico não tem autopoiese, ele é um mero joguete de outros poderes, por exemplo, forças partidárias em luta eleitoral, estados estrangeiros, organizações criminosas, etc”, disse o ministro nas redes sociais.

“Dino abre a possibilidade de interpretarmos a disputa que ocorre dentro do Supremo Tribunal Federal, e as pressões vindas de fora, das mais diversas áreas e setores, em um contexto pré-eleitoral. Falta exatamente um mês para o primeiro turno das eleições”, apontou o jornalista.

Leia mais: Lula e vale-tudo entre Moraes e Mendonça ampliam pressão sobre Fachin

Manifestações de 7 de setembro

“Essa situação entre Moraes e Mendonça coloca gasolina nessa chamada de manifestação para o 7 de setembro feita por Flávio Bolsonaro. Os bolsonaristas esperam que o evento da Avenida Paulista seja o maior ato da campanha até o momento. Algumas lideranças da direita brasileira estarão ao lado dele, como Silas Malafaia, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo”, opinou a jornalista Beatriz Bulla durante o Matinal.

“Parece que essa movimentação da semana, incluindo a dos ministros, que estão tentando fazer um contraponto ao André Mendonça, galvaniza essa militância em torno do Flávio”, concluiu Bulla.

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