Reportagem

Logística e ameaças de boicote: como guerra com EUA atrapalhou preparação do Irã para Copa

Seleção do Irã estreou na Copa do Mundo com empate emocionante de 2 x 2 com a Nova Zelândia, em Los Angeles

por Weslley Neto
15/06/2026 às 17:58 · Atualizado há 4 meses
Saleh Hardani, lateral-direito do Irã, que estreia nesta segunda-feira (15) na Copa do Mundo. (Divulgação)

Irã e EUA chegaram a um acordo no último sábado (13/6) para acabar com quase quatro meses de guerra. Mas a iniciativa, além de aparentemente frágil, ocorreu após o final da preparação da seleção iraniana para a Copa do Mundo, disputada nos EUA. Em diferentes momentos, a equipe de futebol do país persa sofreu com as consequências do conflito.

Em março, Mehdi Taj, presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), ameaçou publicamente um boicote à Copa do Mundo. A situação se agravou após o Ministério dos Esportes do país anunciar que proibiria que equipes esportivas do país disputassem competições em locais considerados “hostis”.

As ameaças não se concretizaram, e o Irã seguiu entre os países confirmados na Copa. Representantes do governo de Donald Trump nos EUA chegaram a pedir que o Irã fosse substituído pela Itália no Mundial em decorrência do conflito entre os países, segundo publicação da agência alemã Deutsche Welle.

A Fifa se posicionou oficialmente e disse não resolver conflitos entre países, mas destacou a importância do futebol para “promover a paz” entre povos.

Seleção do Irã
Seleção do Irã vai disputar Copa do Mundo nos Estados Unidos. (Reprodução/Redes sociais)

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Mudança de sede e treinamentos

As incertezas atrapalharam o planejamento logístico da seleção do Irã. A base de treinos foi estabelecida em Tijuana, no México, apenas no dia 24 de maio. Anteriormente, a previsão era de que a seleção iraniana ficasse em Tucson, no Arizona, nos EUA.

Antes do final do conflito, a embaixada do Irã no México sugeriu publicamente que as partidas da primeira fase fossem disputadas em território mexicano. A ideia não foi aceita pela Fifa. Os iranianos disputarão os jogos em Los Angeles (contra Nova Zelândia e Bélgica) e depois em Seattle (contra o Egito).

Não há relatos de que os treinamentos da equipe tenham sido prejudicados pela guerra, segundo noticiou o Globo Esporte. A equipe treinou por cerca de um mês no Centro Nacional de Futebol, em Teerã, e não enfrentou problemas de segurança.

Em maio, a seleção do Irã disputou dois amistosos, contra Gâmbia e Mali, na cidade de Antalya, na Turquia. As partidas foram disputadas sem a presença de público, mas a federação de futebol do Irã negou que a decisão de fechar portões tivesse relação com a guerra.

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Problemas com vistos

A emissão de vistos dos jogadores e de toda a delegação do Irã foi concluída apenas no dia 4 de junho. A viagem da seleção para os EUA aconteceu apenas dois dias depois, em 6 de junho.

A demora gerou preocupações e incertezas nos iranianos, segundo apuração do Globo Esporte. A Fifa teria intermediado um contato entre iranianos e autoridades mexicanas para garantir a emissão dos documentos.

Durante entrevista coletiva realizada no domingo (14), Mehdi Taremi, atacante e maior destaque da seleção do Irã, destacou a importância da estreia após perguntas sobre o conflito do país com os EUA. “Ninguém se preocupou em fazer perguntas relacionadas ao futebol. Nós vamos enfrentar a excelente Nova Zelândia, e eu espero que seja um jogo muito bom.”

Em campo, o Irã começou o torneio com empate por 2 a 2 contra a Nova Zelândia. Os outros dois rivais do grupo G, Bélgica e Egito, também terminaram o confronto disputado na tarde de segunda-feira (15/6) com placar igualado (1 a 1).

O Irã volta a campo no próximo domingo (21/6), às 16h, contra a Bélgica, em Los Angeles.

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