Entrevista

Cotas mudaram universidade, mas exclusão continua real, diz autor de ‘O avesso da pele’

No Notas de Rodapé, escritor Jeferson Tenório analisa revolução silenciosa das políticas afirmativas e como o rap foi seu primeiro mestre de letramento social

Publicado em 15/07/2026 às 05:59
Jeferson Tenório
Escritor e pesquisador Jeferson Tenório

Autor do livro “O avesso da pele” e vencedor do prêmio Jabuti, Jeferson Tenório compartilhou, no programa Notas de Rodapé, do Amado Mundo, suas reflexões sobre os desafios da população negra no ensino superior. Para Tenório, a entrada de jovens negros nas universidades a partir dos anos 2000 não foi apenas uma mudança estatística, mas uma “revolução silenciosa”, que alterou a base do conhecimento produzido no país. 

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“Essa revolução silenciosa, que eu digo não é uma revolução de pegarem armas, pirotécnica, foi silenciosa justamente porque ela entrou num lugar muito estratégico na sociedade brasileira, que é o lugar acadêmico”, explicou. 

A validação de novos saberes na academia

Tenório defende que a presença de estudantes negros nas universidades gerou uma mudança nas demandas de conhecimento e nas bibliografias utilizadas. Ele classifica esse movimento como uma alteração estratégica que ocupou o espaço acadêmico, um local de validação social. 

 “A cor da universidade mudou e, consequentemente, mudaram também as demandas de conhecimento e a valorização de determinados saberes”, analisou, associando essa mudança ao fato de autores negros hoje figurarem em listas de livros mais importantes do país. 

Jeferson Tenório: o rap é um letramento social

Antes de se tornar um nome da literatura contemporânea, o escritor revelou que seu “letramento social” veio da música, já que sua intimidade com os livros foi tardia. Ele descreveu o impacto de ouvir Racionais MCs aos 17 anos como um divisor de águas existencial, permitindo-lhe transitar com orgulho de sua origem. 

“O rap me deu um mundo em que eu pudesse viver e transitar”, afirmou. O pesquisador também destacou que a musicalidade e o ritmo do gênero ainda influenciam a estrutura de seus romances, como em “O avesso da pele”. 

Assista ao Notas de Rodapé na íntegra:

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