Reportagem

Mimo Festival troca de sede e chega a Guimarães, em Portugal

Festival, que une programação gratuitas de cinema, encontros, música e atividades artísticas, tem nova sede, Guimarães, atual Capital Verde Europeia

por Sérgio Luz
Publicado em 25/06/2026 às 05:55
MIMO
Fachada do Largo Toural, em Guimarães, Portugal (Divulgação)

O Mimo surgiu em 2004, em Olinda, de onde partiu para conquistar o Brasil, passando por cidades como Paraty, Rio de Janeiro, Ouro Preto, Tiradentes e São Paulo. Doze anos depois, o evento chegou a Amarante, em Portugal, cidade que abrigou nove edições. Agora, em 2026, a nova sede lusitana do festival é Guimarães, que mantém o mote do projeto, com uma programação gratuita unindo cinema, música, encontros e atividades artísticas.

“Quando começamos a ganhar corpo, a trazer muitos artistas, passei a conhecer diversos agentes estrangeiros, todos espantados com o que a gente fazia. É algo de padrão internacional, fora do eixo, em cidades históricas, com uma curadoria multigênero. E de graça, o que sempre é uma grande surpresa”, comenta Lu Araújo, fundadora e diretora do Mimo.

Lu Araújo, fundadora e diretora do Mimo (foto: André Henriques)

Programação do Mimo

De 27 de junho a 2 de julho, a largada será dada com uma mostra de filmes dedicados a distintos gêneros musicais, como “The blind couple from Mali”, de Ryan Marley, uma jornada pela trajetória da dupla Amadou e Mariam; “Da lata 30 anos”, de Paulo Severo, sobre a obra de Fernanda Abreu; e “A noite de Alaíde”, de Liliane Mutti, que aborda a carreira de Alaíde Costa.

No final de semana seguinte, de 3 a 5 de julho, as atrações musicais tomarão ruas, parques, igrejas e monumentos de Guimarães, município do norte de Portugal cujo centro histórico é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Entre os destaques da eclética programação estão nomes de peso, como os músicos britânicos Tricky, Don Letts e Daddy G, a cantora maliana Oumou Sangaré, o MC português Papillon, Fernanda Abreu e Zé Ibarra. 

“Não sou uma pessoa restrita a segmentos, gosto de tudo: de brega, de música eletrônica, de funk. Eu procuro trazer o que acho que pode expandir horizontes e fronteiras, que pode criar conhecimento para o público. E a gratuidade me permite isso também. Aliás, eu acho que é um dever. Eu tenho que usar bem esses recursos para fazer com que as pessoas possam conhecer coisas que verdadeiramente não chegam a elas”, avalia Araújo.

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Depois de nove edições em Amarante, o Mimo faz sua estreia em Guimarães, atual Capital Verde Europeia. Segundo a curadora, a mudança permitirá ao público ter uma maior estrutura de hospedagem e de transporte, até pela proximidade com a vizinha Braga. E a nova casa lusitana do projeto brasileiro também é celebrada pelo prefeito da cidade. 

“É profundamente simbólico que este festival chegue ao berço da nação e a uma cidade Patrimônio Mundial, onde a história, a cultura, o talento e a identidade coletiva se cruzam todos os dias com mais ambição de futuro” afirma Ricardo Araújo, presidente da Câmara Municipal de Guimarães. Receber o MIMO significa reforçar a nossa oferta cultural de excelência.”

E a escolha da nova sede na terrinha não foi por acaso. De acordo com a fundadora do Mimo, a “Cidade Berço”, como é conhecida em Portugal, dá a possibilidade de reunir as principais características pétreas do festival.

“Temos três pilares: a música, a arte como um todo, e o uso do patrimônio histórico como lugares de realização. Ou seja, uma forma de conviver com o passado, com a memórias desses espaços”, explica Lu Araújo. “É uma nova maneira de olhar para esses locais.”

No entanto, Portugal não foi uma escolha óbvia quando Araújo decidiu levar o projeto para o exterior. Em 2017, por exemplo, um ano após chegar a Amarante, foi realizada uma edição em Glasgow, na Escócia, por exemplo, em 2017, dentro da programação do Celtic Connections. 

“Eu listei 30 cidades no mundo que eu gostaria de ter, muitas até na América Latina, porque eu achei que eu poderia ir primeiro para um país vizinho. Eu não esperava ir para a Europa. Mas eu comecei a construir isso com Portugal. Eu não digo que foi fácil, mas eu acho que foi rápido para um processo de internacionalização de uma marca.”

A criadora do festival conta que o modelo de organização é muito parecido com o que é realizado no Brasil. A primeira edição fora do país foi elaborada durante cerca de um ano e meio. E a chegada ao velho continente deu-se com apoio local. 

“Chegamos em Portugal financiada pelo governo português, ou seja, com as marcas portuguesas, com as entidades portuguesas e com os fundos europeus. Acho que hoje somos uma importante plataforma da música brasileira na Europa.”

Em sua trajetória, o Mimo já recebeu mais de 4 mil músicos, realizou mais de 600 concertos e apresentou grandes nomes da música brasileira e internacional, como Egberto Gismonti, Gilberto Gil, Chick Corea, Herbie Hancock e Buena Vista Social Club.

“Agora, o Mimo já é um festival maduro, que tem prestígio também em Portugal, que acaba inovando e criando novas maneiras de ocupar a cidade. Vem gente local, do Brasil, da Espanha, da França e até dos Estados Unidos. Estamos felizes em Guimarães.”

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