Reportagem

Irã e Israel suspendem ataques, mas ofensiva de Tel Aviv ao Líbano segue e ameaça trégua

Conflito mostra que relação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já teve dias melhores

por Letícia Corrêa
08/06/2026 às 13:05 · Atualizado há 4 meses
Ataques
Fazendeiro sírio vê míssil iraniano interceptado por Israel, em 8 de junho de 2026 (foto: Bakr Alkasem/AFP)

Israel e Irã suspenderam os ataques entre si, nesta segunda-feira (8/6), de acordo com a agência de notícias Reuters e o jornal americano The New York Times. A interrupção segue pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, feito em sua rede Truth Social. Apesar da nova trégua, as forças de Israel declararam, para a rede local Canal 12, que a ofensiva contra o Líbano, motivo principal dos novos bombardeios do Irã ao território israelense, continua. 

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“Israel e Irã devem parar de ‘atirar’ imediatamente”, escreveu Trump. Na mesma rede social, o republicano destacou que os dois lados do conflito “estão buscando um cessar-fogo imediato”, mas que as negociações de paz podem ser atrapalhadas por “ignorância” ou “estupidez”. 

Origem dos novos ataques 

Os ataques, que romperam o cessar-fogo firmado no início de abril entre as duas nações, começaram no domingo (7/6), após Israel bombardear prédios no subúrbio de Beirute, capital do Líbano. 

De acordo com as forças israelenses, nesses prédios havia membros do Hezbollah, grupo terrorista libanês pró-Irã, planejando um ataque contra Israel. 

Entenda: Retomada de ofensivas entre Irã e Israel abre dúvidas sobre quem dá as cartas na guerra

Algumas horas depois dos ataques de Israel no Líbano, o Irã retaliou lançando mísseis contra o território israelense. Teerã declarou que Tel Aviv havia “ultrapassado todas as linhas vermelhas”, prometendo “hostilidades ainda mais devastadoras e lamentáveis”, caso a ofensiva a Beirute continuasse ou houvesse uma resposta militar. 

Israel, contrariando as vontades de Trump e a ameaça iraniana, respondeu e bombardeou alvos militares no Irã. Segundo a rede de TV Al Jazeera, explosões foram ouvidas em Teerã, capital do país persa, Tabriz e Isfahan. 

“A Força Aérea Israelense atacou alvos militares pertencentes ao regime terrorista iraniano no oeste e centro do Irã há pouco”, escreveram as forças de Israel em suas redes sociais.

EUA são afetados pelos ataques e relação com Netanyahu esfria 

Os EUA, que estão no meio das negociações com o Irã, sabem que o conflito entre Israel e Líbano ameaça diretamente qualquer possível acordo de paz.

O Irã afirmou diversas vezes que qualquer acordo com Washington para acabar com as hostilidades deve incluir o fim da campanha militar israelense no Líbano. Já Israel, que nunca deixou de atacar as cidades libanesas, mesmo durante o cessar-fogo com o Irã, deixando milhares de mortos, argumenta que o tópico relacionado ao Líbano deve ser discutido de forma separada do outro conflito. 

O Estado libanês entrou na discussão, após o Hezbollah abrir fogo contra Israel no início de março, em retaliação ao assassinato do então líder supremo iraniano Ali Khamenei nos ataques aéreos conjuntos de EUA e Israel que deflagraram a guerra. 

Trump, que havia tentado chegar em um cessar-fogo entre Hezbollah e Israel na semana passada, teve seus desejos desafiados duas vezes pelo aliado judaico. 

A primeira ocorreu quando atacaram Beirute; a segunda, quando o republicano, ao saber da última ofensiva de Teerã a Israel, ligou para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pedindo para não haver nenhuma resposta militar aos mísseis iranianos, mas a solicitação não foi atendida. 

Ao jornal Financial Times, Trump alegou que Netanyahu “não tinha opção” a não ser aceitar o acordo de paz entre Washington e Teerã, já que quem “dá as cartas” é ele, o presidente dos Estados Unidos. 

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, seguiu a lógica de Trump e culpou os EUA pela tensão com Israel. O país persa, porém, já afirmou que, depois da nova pausa nos conflitos, volta para as negociações políticas com o governo americano.  

“Sem dúvida, como eu disse, as ações do regime sionista na região não podem ser separadas das políticas dos EUA. Ninguém acredita que o regime sionista realizaria qualquer ação sem prévia coordenação e cooperação com os Estados Unidos”, disse Baqaei. 

Com informações da AFP

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