Retomada de ofensivas entre Irã e Israel abre dúvidas sobre quem dá as cartas na guerra
Queda de braço entre Teerã, Washington e Tel Aviv deixa claro que não existe nenhum líder com poderes absolutos em meio à guerra

A escalada das tensões entre Israel e Irã, que retomou os disparos de mísseis entre os dois países neste domingo (7), aprofunda o questionamento sobre quem — se alguém — tem o controle da situação. Além disso, os sinais de que Washington e Tel Aviv iniciaram a guerra, em 28 de fevereiro, com objetivos bastante diferentes, tornam-se cada vez mais evidentes.
Os ataques do Irã ocorreram em retaliação aos ataques israelenses ao território libanês, onde o Hezbollah, um importante aliado, controla parte do país. Apesar de o cessar-fogo firmado em 7 de abril também envolver o Líbano, Israel nunca deixou de bombardear e ocupar o território do país vizinho, ameaçando expandir definitivamente suas fronteiras ao norte.
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Além da ofensiva iraniana, outros inimigos de Israel, como o grupo rebelde dos Houthis, do Iêmen, também dispararam. Dos Estados Unidos, muito longe das ofensivas militares, Donald Trump tentou, em vão, evitar que isso acontecesse e, mesmo sem ser ouvido, ordenou que Israel e Irã parassem de fazer disparos e retomassem as negociações de paz que ele promete há dois meses que serão concluídas.
Trump não tem interesse em reabrir uma guerra às vésperas da Copa
As declarações das três partes envolvidas revelam que não existe um caminho comum. Ao Irã interessa proteger, além de si próprio, um de seus poucos e mais fortes aliados na região, o Hezbollah. A Trump não interessa reabrir uma guerra às vésperas do início da Copa do Mundo, que tem os Estados Unidos como um dos países-sede. Já Netanyahu tenta, mais uma vez, escapar de uma crise política interna, pressionado por escândalos de corrupção e pela ameaça de uma derrota eleitoral. Em um país que se forjou como Estado sob forte militarização, Bibi aprendeu que estar em guerra normalmente significa manter-se no poder, deixando para depois os conflitos internos e desviando o foco sobre Gaza.
O impasse se dá porque Israel não tem poder militar para, sozinho, seguir por muito tempo com a guerra, sobretudo se ela se mantiver em diversas frentes: Irã e Líbano, além do conflito constante na Palestina, seja em Gaza ou na Cisjordânia, onde a ocupação e a violência de colonos só crescem sem que haja qualquer tipo de ação do Estado para interromper os atos extremos. Os Estados Unidos, aliados de primeira ordem de Tel Aviv, querem derrotar e enfraquecer o Irã, mas não vislumbram uma guerra prolongada. Já a frente de batalha contra o Hezbollah não é prioridade de Trump, apenas de Netanyahu, que vê no grupo político-militar o principal empecilho para expandir seu território anexando partes do Líbano. O Irã, por sua vez, mostrou nos últimos 12 meses que tem mais força e poder de barganha do que países do chamado Ocidente poderiam imaginar e tem dobrado a aposta para tentar chegar a um acordo mais benéfico a Teerã do que as versões apresentadas por Trump.
Os próximos passos serão importantes na queda de braço entre Teerã, Washington e Tel Aviv. Israel vai seguir as recomendações de Trump e se manter fora do conflito com o Irã ou Netanyahu vai ceder a pressões internas e seguir a ofensiva contra o país vizinho? Os iranianos vão voltar a retaliar os ataques contra o Hezbollah? Trump vai conseguir fazer ameaças em redes sociais? Por enquanto, o que fica claro é que não existe nenhum líder com poderes absolutos e que esse conflito, iniciado em 12 de junho de 2025 e com duas pausas, deve acelerar o balanço de forças do sistema geopolítico atual.