Reportagem

Após reação duríssima nas redes, Celina Leão recua e promete manter Festival de Brasília

Após reação furiosa contra notícia do cancelamento do Festival de Brasília, governadora recua e manda Secretaria de Economia "providenciar recursos"

por Lourenço Flores e Henrique Fregonasse
10/08/2026 às 21:53 · Atualizado há 1 mês
Cine Brasília, a casa do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Cine Brasília, a casa do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (reprodução)

No fim da tarde desta segunda-feira (10/8), a notícia explodiu e logo incendiou as redes sociais: por falta de recursos, o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro estava cancelado. O diretor de produção do FBCB, Henrique Rocha, confirmou a informação após um encontro oficial com representantes da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. Segundo ele, a equipe foi informada de forma presencial, durante a reunião, que o GDF não realizaria os repasses necessários para o evento. Sem esses recursos, a realização do festival se tornaria impossível.

“Recebemos, em reunião presencial na Secretaria de Cultura, a informação de que o Governo do Distrito Federal não aportará recursos para a realização do festival, o que implica no seu cancelamento por insolvência financeira. É algo inédito no período democrático e que naturalmente não esperávamos: estamos trabalhando nesta edição desde março deste ano (…) É inacreditável”, declarou Rocha.

Muito rapidamente começaram as reações. As redes sociais foram tomadas por manifestações de incredulidade e fúria contra o GDF e Celina Leão. A governadora dissera, há poucos dias, quando já circulavam informações de que o festival seria sacrificado em meio aos efeitos da tentativa de salvar o BRB, afundado em um rombo bilionário, que o Cine Brasília receberia recursos, mas que o evento não era “prioridade”. Rapidamente, nesta segunda, virou o principal alvo da inconformidade dos cidadãos.

Pouco antes das 21h, depois de horas sem se manifestar, Celina foi ao X e postou:

Está confirmada a realização da 59ª edição Festival de Cinema de Brasília, evento marcado para 11 a 19 de setembro. Já determinei que a Secretaria de Economia providencie os recursos necessários para o evento.— Celina Leão (@celinaleao) August 10, 2026

A reação da oposição ao cancelamento do Festival de Brasília foi feroz

O cenário mobilizou imediatamente os rivais de Celina na corrida pelo Buriti. José Roberto Arruda (PSD), Ricardo Cappelli (PSB) e Leandro Grass (PT) se manifestaram velozmente, e de forma contundente, contra a medida. Miraram diretamente em Celina e no antecessor, Ibaneis Rocha. O tom geral das manifestações foi de que o principal evento cultural da capital se tornara mais uma vítima do descontrole financeiro decorrente da crise do Banco de Brasília (BRB) e sua relação com o esquema fraudulento do Banco Master.

Leia mais: Em meio a rombo financeiro do BRB, GDF cancela 59ª edição do Festival de Brasília

O ex-governador José Roberto Arruda lamentou profundamente” que um festival histórico esteja sofrendo as consequências do episódio envolvendo o BRB-Master”. Arruda destacou que a suspensão de um evento previsto no orçamento evidencia “o tamanho do buraco que Brasília se meteu” e classificou o cenário como “um reflexo claro da má gestão dos recursos públicos”. Ele apontou, ainda, a falta de transparência do BRB, que não publicou seu balanço, e mencionou que o banco pode ter um prejuízo que chega à casa dos R$ 20 bilhões.

Ex-interventor federal na segurança pública do DF no 8 de janeiro, o candidato do PSB, Ricardo Cappelli, afirmou que o episódio representa o “fundo do poço” do governo Celina Leão e Ibaneis Rocha. Ele enfatizou que o festival, sendo o mais antigo do Brasil, é um símbolo do audiovisual e da cultura nacional. Cappelli acusou a gestão de incompetência, declarando que, após “quebrarem o BRB” e “falirem a saúde”, o governo distrital agora está “enterrando a cultura do Distrito Federal”.

Na mesma linha, o ex-deputado distrital e ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Leandro Grass criticou severamente o governo por avisar de última hora que o BRB não patrocinaria mais o evento, sem oferecer qualquer tipo de alternativa à organização. Ele ressaltou a importância econômica do festival, que atrai turismo e coloca Brasília em evidência internacional. Além de apontar a falta de compromisso da governadora com a cultura, Grass informou que já iniciou diálogos com gestores federais da área cultural para tentar buscar alternativas emergenciais que viabilizem o evento.

“Um lapso de sanidade”

Kiko Caputo falou apenas após o recuo do GDF ser tornado público. Ele enalteceu a decisão da governadora de manter a realização do festival, afirmando que ela teve um “lapso de sanidade e um mínimo de senso cívico”. Ele também destacou a importância do evento para o setor cultural e econômico do DF.

“É o mais antigo festival de cinema do Brasil. Um marco cultural da nossa cidade. Um evento que não só movimenta a cultura toda a economia criativa, mas também os hotéis, os restaurantes. 
Todo um sistema cultural e a vida econômica”, destacou.

O Amado Mundo tentou contato com Paula Belmonte (PSDB), mas não obteve resposta até o fechamento dessa reportagem. O espaço segue aberto.

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