Reportagem

Vorcaro relatou em delação que doações a Bolsonaro e Tarcísio eram propina, diz portal

Segundo reportagem do UOL, Daniel Vorcaro atribuiu a um acerto de propina com Gilberto Kassab as doações feitas por seu cunhado, Fabiano Zettel, a Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022

03/09/2026 às 17:29 · Atualizado há 1 mês
Daniel Vorcaro / Banco Master
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master (Foto: Divulgação/Banco Master)

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou na sua proposta de delação premiada que as doações eleitorais feitas a Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas na campanha de 2022 tiveram origem em um acerto de propina negociado com Gilberto Kassab. A informação foi revelada nesta quinta-feira, 3, pelos repórteres Fabio Serapião, Natália Portinari, Artur Rodrigues e Cézar Feitoza, do UOL. As doações foram feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, também preso no escândalo do Banco Master. Bolsonaro recebeu R$ 3 milhões de Zettel, e Tarcísio, 2 milhões.

A reportagem mostrou que, segundo Vorcaro, as doações foram “contrapartidas financeiras” em razão de um “ajuste indevido” com Gilberto Kassab para que o Credcesta fosse mantido em um eventual governo Tarcísio de Freitas, em São Paulo. A negociação ilícita teria sido feita por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

“Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo”, diz a proposta do ex-banqueiro, conforme a reportagem.

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Ainda de acordo com a matéria, Vorcaro afirmou que a contrapartida foi confirmada e o Master manteve o Credcesta no governo paulista por mais de um ano, até dezembro de 2024, quando Tarcísio editou um decreto que ampliou o mercado de crédito consignado para servidores públicos.

“O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Todavia, Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas, que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”, relata a delação de Vorcaro, de acordo com a reportagem.

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Ainda conforme o ex-banqueiro, Augusto Lima teria pedido que outra pessoa fizesse as doações a Bolsonaro e Tarcísio, em razão da proximidade dele com o PT. Zettel, então, teria sido acionado, sem saber das reais motivações do pagamento. Segundo Vorcaro, contudo, ele não se opôs a fazer as doações porque “tinha interesses ideológicos afeitos ao dos candidatos”. O dinheiro teria vindo de negócios que Zettel tinha em sociedade com Daniel Vorcaro.

A reportagem diz também que, segundo a proposta de delação de Vorcaro, o acerto com Kassab envolveria ainda o pagamento de R$ 10 milhões em espécie a pessoas indicadas pelo presidente do PSD. Os repasses teriam sido feitos por Thiago Botelho.

Ouvidos pela reportagem do UOL, Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab negaram irregularidades.

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