Guilherme Amado

Notícias e investigações em política, negócios, cultura, esportes e onde mais houver histórias para contar.

 

Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

STF julga o Banco Master, mas as redes já julgaram o STF

Ativaweb DataLab mostra Moraes e Vorcaro isolados como alvos da crise, enquanto Mendonça surfa a onda de apoio digital

por Guilherme Amado
05/09/2026 às 15:19 · Atualizado há 1 mês
Os ministros do STF André Mendonça e Alexandre de Moraes (Foto: Luiz Silveira/STF)

O que começou como uma investigação sobre o Banco Master terminou, sete dias depois, como um raio-x das fissuras que separam o tempo das instituições do tempo das redes. Um levantamento da Ativaweb DataLab concluiu que, nas redes sociais, a crise em torno do banco de Daniel Vorcaro deixou de ser um caso financeiro para se espalhar por Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República, Congresso Nacional e Palácio do Planalto — com a eleição presidencial de 2026 já disputando espaço na narrativa.

Crise STF e Master tem dois pesos e duas medidas no digital

O dado que resume a semana está na comparação de percepção entre os ministros do STF. Alexandre de Moraes concentra a maior parte da pressão negativa monitorada, posição que divide com o próprio Vorcaro, hoje tratado como personagem central do enredo político do ano. Do outro lado, André Mendonça colhe volume expressivo de defesa e apoio, associado por parte do público à condução das investigações e ao confronto institucional aberto no episódio.

No plenário, ministros ainda disputam versões sobre fatos, prazos e procedimentos. No ambiente digital, essa disputa já tem vencedor provisório. Mendonça abriu vantagem.

Quando o STF discute consigo mesmo

O ponto de inflexão da semana foi a reação do próprio Moraes ao movimento de Mendonça, escalando o conflito para o patamar raro de um ministro questionando publicamente a atuação de um colega de Corte.

Nas redes, Mendonça não escapa de questionamentos sobre encontros e decisões ligadas ao caso. A diferença é de absorção.

Os mesmos tipos de crítica que corroem a imagem de Moraes não produzem o mesmo desgaste em torno do nome de Mendonça, evidência de que, no digital, contexto e narrativa pesam tanto quanto o fato em si.

A manifestação de Lula sobre crise STF e Master

A crise já alcançou o Planalto. Lula teve que se manifestar, defendendo uma investigação sem blindagens, movimento lido nas redes como tentativa de evitar que o episódio seja associado ao governo. No Congresso, parlamentares identificaram na crise espaço para cobranças e propostas, reacendendo o debate sobre uma reforma do Judiciário. A oposição, por sua vez, já incorporou o caso ao discurso contra a Corte e o sistema político, conseguindo emplacar ao menos com os seus a narrativa de que é antissistema.

Se a eleição termina em dois meses, e haverá um desfecho provável a favor de Lula ou Flávio Bolsonaro, o mesmo não acontecerá com a crise de imagem do STF.

Para além do mérito jurídico — ainda tem muita água para rolar tanto no caso Master quanto no envolvimento de Xandão nele —, a semana deixa claro que o custo de imagem gerado pela crise não está distribuído de forma igual entre seus protagonistas. Moraes e Vorcaro concentram o desgaste; Mendonça, o fortalecimento. O Sete de Setembro mostrará se isso vai se refletir em gente na rua.

Assista ao Matinal de sexta-feira, em que os apresentadores analisaram o que está em jogo nessa crise do STF:

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