Pesquisa é retrato do momento, não predição, defende cientista político
Fundador do Ideia Instituto de Pesquisa, Maurício Moura destaca que as pesquisas eleitorais possuem variáveis distintas de outros estudos de opinião

O cientista político e fundador do Ideia Instituto de Pesquisas, Maurício Moura, mostrou ressalvas, no Matinal desta quarta-feira (15/7), do canal Amado Mundo, quanto à proposta do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de criar um selo para premiar os institutos de pesquisa cujos levantamentos mais se aproximarem do resultado oficial das urnas.
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Também como membro do conselho da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), Moura defendeu que as pesquisas eleitorais entregam apenas um retrato do momento em que são realizadas, e não necessariamente uma estimativa ou projeção futura do comportamento do eleitor.

Pesquisas são previsões
Para ele, se o objetivo do TSE é premiar previsões, deveria criar um prêmio de modelagem preditiva semelhante ao que o Banco Central faz com o relatório Focus, que avalia quem acerta as projeções econômicas de PIB e inflação.
“Para projetar o resultado, você tem que ter uma estimativa de como é que os indecisos vão tomar a decisão e quem vai aparecer ou não para votar, porque a abstenção é uma das variáveis chaves de qualquer resultado de eleição”, destacou.
Segundo Moura, a única pesquisa de opinião que pode ser comparada diretamente com o resultado final é a pesquisa de boca de urna, pois ela elimina as duas maiores variáveis de incerteza, que são a abstenção e o contingente de eleitores que mudam de ideia na última hora. No entanto, ele ressaltou que esse modelo perdeu o valor no Brasil, visto que a apuração dos resultados eletrônicos é rápida e começa cedo.
Transparência é fundamental para análises eleitorais
O cientista político declarou que o Brasil tem um dos sistemas mais transparentes do mundo para pesquisas de opinião, no qual qualquer cidadão pode acessar os questionários, o plano amostral estatístico e as notas fiscais de quem financiou o levantamento.
Para o representante da ABEP, o foco não deve ser a precisão preditiva, mas, sim, continuar aprimorando essa transparência e a governança das pesquisas, municiando o eleitor com cada vez mais informações confiáveis na hora da decisão.
“O que faz uma pesquisa boa, além dessa transparência, são os profissionais que estão por trás, todos os institutos têm uma cara. Então, é importante ir atrás da transparência do registro e de quem financia as pesquisas”, conclui.
Assista ao Matinal desta quarta-feira (15/7):