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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

O tombo inédito de Cláudio Castro

Pela primeira vez no país, com reprovação de contas de Cláudio de Castro, um tribunal reprova contas de governador por falta de fidedignidade nos números

por Gustavo Silva
04/06/2026 às 02:00 · Atualizado há 4 meses
Agora ex-governador, Cláudio Castro assinou renúncia do governo do estado do Rio nesta segunda. Crédito: Divulgação

A rejeição das contas de 2025 de Cláudio Castro pelo TCE-RJ, por 3 votos a 1, é um precedente inédito no controle das contas públicas no Brasil. Pela primeira vez, um tribunal de contas reprovou a gestão de um governador com base em uma auditoria financeira, motivada pela falta de confiabilidade dos números apresentados, deixando de lado o tradicional foco no descumprimento de limites de investimento em saúde ou educação.

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O voto do conselheiro revisor José Gomes Graciosa, seguido por Marcelo Verdini Maia e Christiano Lacerda, expôs uma maquiagem contábil que supera os R$ 7 bilhões em distorções generalizadas no balanço fluminense, em julgamento que teve a abstenção do ex-vice-governador Thiago Pampolha, que se declarou impedido.

O pente-fino do corpo técnico do tribunal revelou que o Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores estaduais, manteve registrado R$ 1,13 bilhão aplicado em fundos vinculados ao Banco Master como se o ativo estivesse intacto, ignorando o fato de a instituição ter sofrido liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025. Além disso, R$ 5,01 bilhões investidos a longo prazo no Master, no Banco Genial e na Mirae Asset foram lançados como dinheiro disponível para uso imediato, o que gerou uma falsa liquidez de curto prazo de R$ 1,56 bilhão no caixa do estado.

A checagem dos auditores com as instituições financeiras revelou ainda que a contabilidade do Estado exibia R$ 823,9 milhões a mais do que o saldo real existente nas contas bancárias. O relatório apontou também que a Lei Orçamentária Anual de 2025 foi aprovada com um déficit de R$ 14,6 bilhões sem indicação de fontes de financiamento.

Antes de chegar ao plenário, a prestação de contas do ex-governador havia recebido manifestações favoráveis à regularidade em etapas preliminares. Tanto a área técnica do corpo instrutivo do TCE-RJ quanto o Ministério Público de Contas (MPC) emitiram pareceres se manifestando a favor do balanço do exercício fluminense.

O voto contrário à condenação das contas foi feito pelo conselheiro relator, Rodrigo Melo do Nascimento. Egresso da cota técnica de auditores substitutos, ele acompanhou o entendimento inicial das instâncias de instrução da corte e divergiu do revisor.

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Agora, o parecer prévio do TCE segue para o crivo da Alerj, a quem cabe dar a palavra final.

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