Guilherme Amado

Notícias e investigações em política, negócios, cultura, esportes e onde mais houver histórias para contar.

 

Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

Notícias e investigações em política, negócios, cultura, esportes e onde mais houver histórias para contar.

 

Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

Banner imagem do autor Banner mobile imagem do autor
Reportagem

Montadoras veem na BYD um teste do acordo entre Mercosul e União Europeia

Para avançar no mercado da União Europeia, a BYD terá de provar produção real no Mercosul e cumprir as exigências do tratado

por Gustavo Silva
16/05/2026 às 09:00 · Atualizado há 4 meses
Foto de abril de 2025 mostra carros elétricos da BYD no pátio à espera do embarque em navio para o Brasil, partindo da província chinesa Jiangsu (Foto de CN-STR / AFP)

O acordo entre Mercosul e União Europeia recolocou a BYD no centro de uma discussão que já vinha aparecendo em Brasília e em Bruxelas. Entre montadoras, ganhou força a ideia de que a operação da empresa no Brasil pode funcionar, no futuro, como porta de entrada para ampliar presença na Europa. Essa hipótese, porém, não é tratada como um caminho livre. Ela depende de produção real, de mais etapas feitas no Mercosul e de cumprimento das exigências do tratado, enquanto a União Europeia tenta reduzir sua dependência da China sem romper com o país.

Já leu todas as notas da coluna hoje? Clique aqui.

O ponto mais importante dessa conversa está nas regras de origem do acordo, que definem o que pode ser considerado produto do Mercosul. Para ter acesso às condições previstas no tratado, não basta montar o veículo no bloco com peças trazidas de fora, como ocorre na montagem da maior parte dos carros chineses vendidos na América Latina. É preciso haver conteúdo regional e transformação efetiva da cadeia produtiva.

No setor automotivo, essa exigência pesa ainda mais porque o desenho do acordo busca evitar que o Mercosul funcione apenas como etapa intermediária de produtos chineses com destino ao mercado europeu.

Receba no WhatsApp tudo da coluna. Se inscreva.

Para a indústria automotiva, o acordo abre uma possibilidade, mas não garante um acesso automático ao mercado europeu por parte dos carros chineses. Além disso, pesa o fato de que o bloco europeu incluiu no acordo mecanismos para proteger sua indústria caso surjam distorções na concorrência.

Essa postura defensiva reflete a atual complexidade diplomático-comercial entre a Europa e a potência asiática. De acordo com o advogado Philipe Augusto da Silveira Cordeiro, especialista em acordos bilaterais, a União Europeia hoje adota uma posição ambivalente, tratando a China como um parceiro comercial central, mas também como um concorrente sistêmico, focando em uma política de redução de riscos para diminuir dependências estratégicas em setores industriais e tecnológicos sensíveis.

“Dentro desse cenário, o acordo abre uma possibilidade relevante para a BYD: produzir no Mercosul, especialmente no Brasil, em vista da oferta energética e outros benefícios, e acessar o mercado europeu com condições tarifárias mais favoráveis. Mas é importante destacar que a abertura não é imediata nem irrestrita, ela é gradual e acompanhada de mecanismos de proteção, o que permite equilibrar liberalização e defesa industrial. Não bastará montar o veículo no Brasil com peças produzidas na China, será necessária efetiva agregação de valor local, com participação relevante de insumos e processos produtivos realizados no Mercosul”, complementa.

PLAYLISTS