Guilherme Amado

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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

Lula e vale-tudo entre Moraes e Mendonça ampliam pressão sobre Fachin

Pressão sobre Fachin, presidente do STF, cresceu exponencialmente em um intervalo de poucas horas na noite dessa quinta-feira

por João Pedroso de Campos
04/09/2026 às 02:00 · Atualizado há 1 mês
O presidente do STF, Edson Fachin (Foto: Victor Piemonte/STF)

Cresceu exponencialmente na noite dessa quinta-feira, 3, a pressão sobre o presidente do STF, Edson Fachin, em meio à crise sem precedentes entre membros da Corte deflagrada na terça. Em um intervalo de poucas horas, Fachin foi o destinatário de nada menos que três eloquentes manifestações: uma do presidente da República e duas dos dois ministros que duelam em praça pública em torno das suspeitas do caso Master e acusações de uso político de investigações.

Primeiro, soube-se que Alexandre de Moraes havia reagido, bem ao estilo Xandão, à decisão de André Mendonça que desnudou mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes e que submeteu ao plenário do Supremo a abertura de uma investigação contra ele.

Tendo Fachin como destinatário de um pedido de “providências que entender necessárias”, Alexandre de Moraes despachou no famigerado inquérito das fake news um petardo contra Mendonça. Com base em relatórios de inteligência da PF, ainda sob sigilo, apontou indícios de que o colega teria cometido crime de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade administrativa nas investigações do caso Master e da roubalheira no INSS.

Em seguida, ao se manifestar pela primeira vez sobre a crise no STF, em um discurso calculado para não lhe causar prejuízos eleitorais, Lula disse que cabe a Edson Fachin, enquanto presidente do Supremo, liderar um “processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”.

Na hora seguinte, a jornalista Natuza Nery informou que Mendonça, possesso com Moraes, pediu a Fachin nada menos que o afastamento cautelar do colega do cargo. A medida, teria sugerido o ministro, deveria ser tomada e enviada ao plenário do STF para referendo.

Nesse meio-tempo, Edson Fachin despachou em uma petição autuada por iniciativa dele no STF. Determinou que André Mendonça, Alexandre de Moraes, o chefe da PGR, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, manifestem-se sobre a troca de chumbo grosso no Supremo. As relações de Gonet e Andrei com Daniel Vorcaro também foram tema do relatório da PF de 218 páginas que expôs as mensagens do ex-banqueiro a Moraes, tornado público por Mendonça.

As manifestações pedidas por Fachin devem ser apresentadas em cinco dias — a ver se, até o fim prazo, a pressão sobre o presidente do Supremo, conhecido pela fala mansa e o jeito pacato, terá aumentado ainda mais.

A ofensiva de Moraes se baseia em relatórios da PF que apontam um suposto viés investigativo de Mendonça. O documento destaca a inclusão de referências “sem lastro probatório” a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e à lobista Roberta Luchsinger nas fraudes do INSS. Para a polícia, insistir nesses alvos sem provas diretas indica uma “orientação não declarada”, que também atingiu figuras como ACM Neto e Antonio Rueda.

A corporação identificou ainda assimetria na exigência de provas. O senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, sofreu medidas duras baseadas em evidências consideradas frágeis pelo relatório, enquanto Ciro Nogueira, do PP do Piauí, teve tratamento brando, aponta a PF, apesar do vasto acervo probatório sobre a “emenda Master”. O relatório aponta também que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, virou um “alvo estratégico” da apuração motivado pelo seu controle sobre pautas de impeachment no Congresso.

Essa disparidade se repetiu nos prazos das decisões judiciais, aponta a polícia. Um pedido de busca contra Jaques Wagner foi despachado em nove dias, ao passo que uma medida contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro demorou 75 dias. Moraes utilizou justamente esse conjunto de discrepâncias para justificar a queixa enviada a Fachin, acusando o colega de abuso de autoridade, improbidade e favorecimento de grupos políticos.

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