Reportagem

Cauteloso, governo sobe teor de etanol na gasolina em meio à reescalada no Irã

O governo elevou o percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina em todo o país, que passa de 30% […]

por João Pedro Bitencourt
14/07/2026 às 18:09 · Atualizado há 3 meses
O aumento temporário foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (Rovena Rosa/Agência Brasil)

O governo elevou o percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina em todo o país, que passa de 30% para 32%. A medida, com vigência de 180 dias e possibilidade de uma única prorrogação por igual período, deve fazer com que o Brasil deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano. O aumento temporário foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nesta terça-feira (14/7).

Leia também: A guerra de volta: Trump diz que EUA serão ‘guardião de Ormuz’ e anuncia pedágio de 20%

A decisão do colegiado leva em conta o cenário de instabilidade no mercado internacional de petróleo e combustíveis por conta da escalada no conflito no Oriente Médio. O governo busca reduzir a dependência de combustíveis derivados do petróleo. O Ministério de Minas e Energia (MME) ainda anunciou que o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro continua estudando misturas com percentuais cada vez maiores de etanol, podendo chegar a 35%.

Retomada da guerra já impacta preço do petróleo

A paz provisória, com esperança de um acordo permanente rápido, entre Estados Unidos e Irã durou pouco, e as hostilidades voltaram a crescer. Nesta segunda-feira (13/7), horas após dizer que os EUA irão assumir o controle sobre o Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo antes de a guerra ser deflagrada, e passariam a cobrar um pedágio equivalente a 20% do valor da carga transportada pela região, o presidente americano, Donald Trump, recuou. Descartou a cobrança – mas não a ideia de tomar o estreito.

O Irã, em resposta, declarou que vai proibir os Estados Unidos de interferir na administração do estreito e fez uma série de ameaças tanto aos EUA quanto a países vizinhos.

O impacto nos índices que medem o preço do petróleo foi imediato. No fechamento desta segunda, o petróleo tipo Brent — referência mundial — com vencimento em setembro teve alta de 9,59%, cotado a US$ 83,30 por barril. Já a referência americana, o WTI, com entrega prevista para agosto, subiu 9,42%, a US$ 78,14 por barril, na Nymex, bolsa de commodities de Nova Iorque. Nesta terça, o cenário também é altista.

Governo cauteloso

A decisão do governo, pautada pela cautela, vai na contramão do que havia declarado a equipe econômica do governo há cerca de duas semanas, quando anunciou o fim da subvenção de R$ 0,35 por litro de diesel. Segundo o governo, a medida marcaria o início da retirada gradual das ações adotadas para amortecer o impacto da alta dos combustíveis sobre a economia brasileira. A decisão havia sido tomada porque acreditava-se que o acordo de paz faria diminuir a volatilidade no preço do petróleo.

No entanto, na última quinta-feira (9/7), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que havia desistido de retirar, na semana passada, o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina — medida que era prevista e marcaria o próximo passo da retirada gradual dessas ações. A decisão foi tomada depois de o preço do petróleo voltar a subir com os ataques dos EUA ao Irã.

Acordo entre EUA e Irã durou pouco

Na última quarta-feira (8/7), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia dito que o acordo de paz firmado em 17 de junho com o Irã ‘acabou’ e que não quer mais diálogo com Teerã.

 Na prática, porém, o acordo já havia sido rompido: na véspera, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciara que o exército americano havia realizado ataques contra o Irã, em resposta a uma agressão contra um navio comercial que transitava pelo Estreito de Ormuz.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou no dia 26 que a reação contra um ataque dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz contra forças iranianas seria “rápida e decisiva, no momento e no local que escolhermos”.

A partir dali, as hostilidades entre os dois países só cresceram.

Medida agrada agronegócio

No X, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, comemorou a aprovação do aumento. A medida também agrada membros da bancada do agronegócio no Congresso. O deputado Arnaldo Jardim, do Cidadania de São Paulo, defendia em suas redes sociais a elevação da mistura do etanol como um avanço importante para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, fortalecer a produção nacional, gerar empregos e proteger o consumidor dos impactos das oscilações do preço do petróleo.

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