Governo diz que EUA jamais apresentaram proposta para evitar tarifaço
Assessores de Lula afirmam que Washington nunca colocou uma alternativa concreta ao tarifaço na mesa

Integrantes do governo Lula contestam a versão apresentada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de que o Brasil não teria buscado negociar para evitar o tarifaço. Segundo esses auxiliares, o problema nunca foi a falta de diálogo do lado brasileiro, mas a ausência de qualquer proposta concreta por parte de Washington.
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De acordo com esses relatos, o governo brasileiro fez mais de 30 contatos com autoridades americanas desde o anúncio do primeiro tarifaço, em reuniões presenciais, videoconferências e telefonemas, nos níveis presidencial, ministerial e técnico. Apenas com Rubio e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, teriam ocorrido 11 contatos, sempre por iniciativa do Brasil.
A avaliação no Planalto é de que, apesar desse esforço diplomático, os americanos jamais apresentaram uma alternativa para solucionar os pontos levantados na investigação comercial aberta contra o Brasil.
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O governo cita como exemplo as críticas relacionadas ao desmatamento. Os Estados Unidos nunca formularam uma proposta específica sobre o tema, embora o Brasil tenha reduzido pela metade o desmatamento na Amazônia entre 2022 e 2025. Em relação ao Pix, a situação foi semelhante: houve questionamentos, mas nenhuma sugestão de encaminhamento.
Outro caso apontado é o do etanol. A investigação americana questiona a tarifa brasileira de 17,5% sobre o combustível, mas, segundo integrantes do governo, os Estados Unidos mantêm tarifas quatro a cinco vezes maiores sobre o açúcar brasileiro e, durante todo o processo de diálogo, nunca aceitaram discutir uma redução dessa proteção.
Tarifaço político
No Planalto, a conclusão é de que o endurecimento da política comercial americana teve motivação essencialmente política. Auxiliares lembram que o Brasil inicialmente havia sido incluído na faixa mínima do tarifaço, de 10%, e passou a enfrentar uma tarifa de 50% após a manifestação pública de Donald Trump em defesa de Jair Bolsonaro durante o julgamento da ação sobre a tentativa de golpe.
Na mesma linha, afirmam que a investigação com base na Seção 301 foi estruturada para servir de alternativa caso o primeiro tarifaço fosse derrubado pela Justiça americana.