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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

Funcionária da estatal PortosRio acumula cargo comissionado na Alerj 

Rendimentos da PortosRio e Alerj somados passam de R$ 21 mil líquidos por mês nas duas cadeiras 

por Gustavo Silva
08/06/2026 às 13:00 · Atualizado há 4 meses
Plenário da Alerj (Foto:
Tomaz Silva/Agência Brasil)

Ubiquidade. Do latim ubiquitate. Substantivo feminino que define a faculdade ou capacidade de estar presente em vários lugares ao mesmo tempo. Pois bem. A PortosRio ganhou um capítulo que desafia justamente as leis da física e a Constituição. É que o loteamento político na estatal registrou um precedente intrigante antes mesmo daquela barulhenta leva de mais de 20 indicações da turma de Belford Roxo que abalou a companhia em maio.

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Mônica Maia Ornellas, empossada como funcionária extra-quadro na estatal federal em 15 de janeiro de 2026, descobriu uma forma de multiplicar o tempo. Ela foi alocada na Gerência de Gestão de Contratos sob uma jornada de 40 horas semanais, batendo as 200 horas mensais exigidas pelo cargo. Por esse batente na estatal, seus rendimentos líquidos mensais chegaram a R$ 15.154,52.

O detalhe é que Mônica manteve ativo o seu contracheque na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) enquanto iniciava os trabalhos na estatal. Ela bate ponto no Legislativo fluminense desde fevereiro de 2011. Passou 12 anos como assistente e, em agosto de 2023, virou Assessora Parlamentar V, cargo de confiança onde recebe R$ 6.659,53 limpos por mês. Continua lá, ativa, até hoje.

Na ponta do lápis, ela embolsa R$ 21.804,05 líquidos todo mês somando as duas cadeiras públicas. Em valores brutos, o custo para o contribuinte passa dos R$ 30 mil mensais.

Para deixar claro, a Constituição proíbe o acúmulo remunerado de funções públicas, e cargos de assessoria comissionada exigem dedicação exclusiva.

O caso é mais um fósforo aceso no paiol em que se transformou a estatal neste ano. A investida política da turma de Belford Roxo na companhia já degolou o gerente de RH, Breno Luiz Lunga, que tentou barrar as nomeações posteriores sem aval de Brasília, e provocou uma debandada na área técnica após o superintendente Eduardo Miguez melar a compra suspeita de uma fazenda de R$ 20 milhões por prever prejuízo aos cofres públicos.

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Procurada, a Alerj comunicou que “desconhece a nomeação da servidora em outro órgão público”.

“A servidora encontra-se lotada em gabinete parlamentar”, complementou.

A PortosRio não respondeu aos questionamentos da reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

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