Quer saber quais são os filmes da minha vida?
Confira a seleção de longas-metragens da minha preferência, relatada em livro publicado em 2010

Em 2010, fui convidado por Leon Cakoff (1948-2011) e Renata de Almeida, diretores da Mostra Internacional de São Paulo, para dar um depoimento, durante o evento, sobre os filmes da minha vida. Confesso que, a princípio, recusei, mas o saudoso Leon acabou me convencendo de que eu tinha muita história pra contar. E aí o meu depoimento, dos diretores Wim Wenders, Fernando Meirelles, Heitor Dhalia, André Sturm e João Moreira Salles, dos críticos Alcino Leite Neto e Luiz Zanin Oricchio, e do exibidor Adhemar Oliveira foram editados num livro, chamado “Os filmes da minha vida 3”, editado pela Imprensa Oficial.
Existem, sim, filmes que me marcaram, mas relendo o que eu disse, garanto que muita coisa mudou. Quem me conhece, sabe que eu sempre cito “Crepúsculo dos deuses”, ou “Sunset boulevard” (1950) em inglês, dirigido por Billy Wilder, como “meu” filme da vida. É um drama sobre uma estrela veterana do cinema, papel da magnífica Gloria Swanson, que não encontra mais oportunidades em Hollywood. Ele é atemporal, um clássico em preto em branco, que eu revi várias vezes e que ninguém jamais ousou refilmar – e está disponível no streaming Belas Artes à la Carte ou para aluguel no Prime Video ou na AppleTV.
Hithcock, Almodóvar, Visconti e Polanski
Eu também falei de “Festim diabólico” (também no Belas Artes à la Carte), do Hitchcock, de “Morte em Veneza” (aluguel no Prime Video e AppleTV), do Visconti, de “A Lei do desejo” (PlutoTV), do Almodóvar, de “O Estado das coisas” (indisponível no streaming), do Wim Wenders, de “O inquilino” (Looke e NetMovies), do Polanski, de “Arca russa” (indisponível), do Sukorov, e de tantos outros filmes e diretores que moldaram a minha veia cinéfila.
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Mas o que eu acho mais interessante nessa minha revisão é ver que o novo sempre vem, que a vida e os filmes da minha vida (ou das nossas vidas) estão sempre em constante movimento. Dezesseis anos depois de dar o meu depoimento, meu filme favorito do Tarantino não é mais “Bastardos inglórios” (Prime Video e Telecine). É “Era uma vez em Hollywood” (Netflix).
Damien Chazelle, que acabou se tornando um dos meus cineastas preferidos, só faria “Whiplash” (HBO Max) três anos depois, e o maravilhoso “Babilônia” (aluguel no Prime Video e AppleTV), apenas em 2022. E o meu favorito dele e, certamente, um dos meus filmes da minha vida, é “La La Land”, que, por coincidência, reestreou na quinta (20/9) nos cinemas, comemorando os dez anos do seu lançamento e está disponível no Filmelier+.
Outros ‘filmes da minha vida’, a partir dos anos 2000, no streaming

“Moulin Rouge” (Disney+) > Uma bela história de amor, ambientada virada do século 19, mas com trilha sonora recheada de músicas pop. É o melhor filme da carreira do diretor australiano Baz Luhrmann que, depois, faria “Elvis”.
“O segredo de Brokeback Mountain” (aluguel no Prime Video e AppleTV) > Dois caubóis vivem, em segredo, um romance secreto, já que ambos são casados com mulheres. Ganhou o Oscar de melhor direção (Ang Lee), mas deveria ter levado também o prêmio de melhor filme, perdido para “Crash”.
“A separação” (Reserva Imovision) > Um redemoinho de emoções e conflitos na história de um casal que está em vias de se separar. Um dos grandes acertos da carreira do diretor iraniano Asghar Farhadi, que levou o Oscar de melhor filme internacional.
“Birdman” (Prime Video) > Vários vertiginosos planos-sequência na história de um fracassado ator, interpretado por Michael Keaton, que tenta voltar aos holofotes numa peça da Broadway. Ganhou os Oscars de melhor filme, direção e roteiro original, entre outros prêmios.
“Roma” (Netflix) > O realizador mexicano Alfonso Cuarón recorreu ao baú de memórias para contar sua infância ao lado dos pais, e acompanhado da babá e empregada da casa, num bairro de classe média na Cidade do México, dos anos 70. Levou o Oscar de melhor filme internacional.
“Parasita” (Netflix e Prime Video) > Foi o grande vencedor do Oscar 2020 e, pela primeira vez na história do prêmio, conquistou os troféus de melhor filme e melhor filme internacional. O roteiro traz os contrastes sociais da Coreia do Sul a partir de uma família pobre que, aos poucos, se infiltra como empregados na casa de uma família rica.
“Great Freedom” (MUBI) > Um panorama da homossexualidade na Alemanha, desde a época do nazismo até o fim dos anos 60, por meio da história de um judeu gay. Foi o indicado da Áustria para concorrer ao Oscar de melhor filme internacional em 2022.