Zeca Martins: o Brasil e a urgência de um projeto de país
Representante da iniciativa Derrubando Muros apresentou as ideias do grupo para o Brasil, mostrou decepção com governo Lula, mas se disse aberto a conversar

No Brasil, o debate político costuma ser engolido por intrigas e “picuinhas” dos bastidores e esquece do mais importante, o desenvolvimento do país. A análise é do representante da iniciativa Derrubando Muros, Zeca Martins, para o Matinal, do Amado Mundo, desta quarta-feira (8/7). Durante o programa, o empresário falou sobre a situação política no país hoje e pediu que o debate eleitoral se concentre nos rumos da nação, em temas concretos relativos ao desenvolvimento nacional.
“Se a gente não focar no desenvolvimento, a conversa vai continuar nesse fuxico típico da revista ‘Capricho’”, disse Martins.
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Iniciativa Derrubando Muros e o Brasil
O grupo, criado há sete anos em meio às crises da pandemia e do governo Bolsonaro, reúne hoje 160 pessoas. Os participantes da organização acreditam que o Brasil tem toda a potência necessária para dar certo, mas carece de um projeto estratégico. Na tentativa de fornecer um plano de ação ao país, o Derrubando Muros elaborou uma “agenda inadiável” e a apresentou a diversos candidatos na eleição de 2022, incluindo o atual presidente Lula. De acordo com Martins, a iniciativa quase toda votou no petista no segundo turno.
Porém, segundo ele, o grupo se decepcionou, pois o governo escanteou cerca de 95% das propostas dessa agenda para focar em acordos de curto prazo com o Centrão e garantir a governabilidade diária.
Como o tempo passou e o mundo mudou, o grupo decidiu dobrar a aposta. A agenda, que antes era inadiável, agora é considerada “imprescindível” para que o Brasil não fique para trás. O documento foi atualizado para incluir os desafios urgentes da inteligência artificial e a atual crise das democracias no cenário geopolítico global. Além disso, a agenda possui uma meta: dobrar a renda dos brasileiros em 15 anos.
“Quando a gente está falando em igualdade de oportunidades, para nós é um motor da prosperidade. Gera uma engenharia econômica, reduz juros e tudo mais, e concentra a riqueza. E daí depois o bolo vai ser distribuído. Não é o pobrismo do PT, que distribui a escassez”, declarou.
Críticas ao PT
O empresário aponta que o núcleo duro do PT ainda opera paralisado por uma mentalidade antiga de “luta de classes”. Na prática, de acordo com ele, isso significa que o partido tem dificuldade em separar as coisas e acaba colocando todos os empresários no mesmo balaio. “Eles confundem o verdadeiro empreendedor, que quer gerar riqueza e desenvolver o país, com o empresário ‘patrimonialista’ e oligarca, que só busca favores do Estado”, afirmou.
Essa generalização, classificada por Martins como uma “burrice política”, destrói pontes fundamentais de diálogo com o setor produtivo. Para Zeca, Lula ocupa um lugar na galeria dos estadistas brasileiros, mas o seu governo não tem agido de acordo com essa grandeza.
“O estadista tem que estabelecer pontes, sobretudo com aqueles que o desagradam. Porque com os aliados, ele já dá para o descontado. Porque senão ele vira uma tribo própria, senão ele não une o país”, concluiu.
Mesmo com as críticas, o grupo está aberto a conversar sobre uma eventual renovação do apoio a Lula, condicionada a um debate programático. Representantes do movimento avaliam que, ainda que existam diferenças de visão em alguns temas, há convergências suficientes para permitir um diálogo e uma possível nova aliança em torno de ideias pre-acordadas.
Assista ao Matinal desta quarta-feira (8/7) na íntegra: