Eleições 2026: PT tem mais nomes do que cargos para governo de SP e Senado
Do 'sacrifício' de Haddad à fragmentação da base política histórica: risco de petistas asfixiarem aliados na busca por SP é alto

As movimentações para as eleições de 2026 revelam um cenário em que o excesso de protagonistas pode se tornar um desafio estratégico para Lula. Esse congestionamento de nomes de peso exige uma engenharia política delicada, pois o governo tenta organizar um tabuleiro complexo, especialmente em São Paulo, tanto para o governo do Estado como para o Senado, onde grandes figuras disputam espaços que nem sempre comportam a todos.
O dilema central é claro: como acomodar aliados históricos e novos parceiros sem gerar rupturas internas ou isolar nomes fundamentais para a sustentação do projeto nacional?
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Um exemplo é Fernando Haddad, que vive um bastidor relevante quanto à uma irritação sua e de seu entorno. Uma parte desse incômodo decorre da pressão para que ele saia candidato ao governo do estado de São Paulo, vinda justamente de ministros palacianos. Nomes como Gleisi Hoffmann, publicamente, e também os ministros Rui Costa e Sidônio Medeiros, nos bastidores, têm exercido essa força.
A questão é que esses mesmos ministros criticaram Haddad diversas vezes durante o governo, seja publicamente ou reservadamente. Em vários momentos, creditaram a ele a responsabilidade por eventuais quedas na popularidade do governo, como ocorreu no episódio da suposta taxação do PIX. Naquela ocasião, o Planalto revoltou-se com a condução da Fazenda sobre o tema.
O núcleo de Haddad argumenta que o ministro não contou com articulação política e precisou fazer sua própria frente para defender projetos na Câmara. Além disso, queixam-se de que ele não pôde contar com a Secom (Secretaria de Comunicação), sendo chamado de “Taxadd” pela oposição sem que o governo fizesse frente a isso. Por isso, há um incômodo com ministros que o “fritaram” anteriormente e agora afirmam que ele é essencial para o projeto coletivo, ignorando seus desejos individuais.
Embora Haddad seja um “cumpridor de missões” — tendo aceito disputas difíceis em 2018 e ao governo de São Paulo, sabendo que poderia ser derrotado —, ele já mostrou que sabe dizer “não”, como fez ao recusar a candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2020.
O movimento de Marina Silva: a saída da Rede
A definição de Haddad impacta diretamente o destino de Marina Silva. A atual ministra do Meio Ambiente colocou-se abertamente, pela primeira vez, como postulante ao Senado por São Paulo. Marina afirma que “São Paulo salvou sua vida biológica e política”, referindo-se aos tratamentos de saúde e à sua eleição como deputada federal pelo estado.
Ela aguarda uma negociação entre Lula e Haddad, mas pretende discutir o tema com o presidente em uma viagem à Índia em fevereiro. Além disso, Marina demonstra sinais claros de saída da Rede Sustentabilidade, criticando duramente o partido e indicando uma forte possibilidade de retorno ao PT, após conversas formais com Edinho Silva e a presidente do PSOL, Paula Coradi.
Simone Tebet e o custo do alinhamento
Simone Tebet também está nesse xadrez, mas enfrenta obstáculos complexos. Por ter integrado o governo Lula sem fazer oposição interna, ela se vê eleitoralmente fragilizada em seu estado, o Mato Grosso do Sul. Por isso, agora cobra do presidente uma saída política, possivelmente em São Paulo.
Contudo, a resistência do PT é grande. É difícil para o partido lançar dois nomes ao Senado que não tenham o “DNA petista” ou que flertem excessivamente com o centro, como é o caso de Tebet. O receio é que ela perca votos para a direita ou fique estagnada como uma “terceira via” que não decola eleitoralmente.
O desenho final depende mais uma vez da peça Haddad: se ele não for o candidato ao governo de São Paulo, o PT precisará decidir se mantém Geraldo Alckmin como vice-presidente ou se o lança na disputa estadual. Marina Silva já sinalizou sua visão, em entrevista a mim no É Notícia, da RedeTV: “time que está ganhando não se mexe”, sugerindo manter Alckmin na vice, Haddad no governo e ela própria na disputa pelo Senado.
As peças estão em movimento, e o tempo para definições estratégicas começa a apertar.
Assista a íntegra da análise de Beatriz Bulla ao Matinal desta sexta (30):