Sumiço da vice de Paes expõe nó ideológico do palanque ao governo do Rio
Com Paes consolidado por força própria, o recolhimento da pré-candidata serve de termômetro para a definição oficial da vaga

O sumiço de Jane Reis das agendas e do noticiário da campanha de Eduardo Paes ao governo do Estado reflete o freio de mão puxado após as últimas pesquisas de consumo interno. Escalada em fevereiro com a missão de abrir portas para o prefeito junto ao eleitorado feminino e evangélico, a advogada não teve o impacto esperado nos nichos alvo. Os dados apontam que Paes consolidou seu patamar de votos por força própria e pelo bom desempenho na gestão na capital, deixando a indicação do MDB sem a entrega prevista na largada.
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Além do ritmo mais cadenciado da campanha na Baixada Fluminense, a presença de Jane na chapa trouxe um nó ideológico de difícil resolução no dia a dia. Como a família Reis tem ligações históricas com o bolsonarismo, a exposição da pré-candidata virou um campo minado capaz de provocar curto-circuito com os partidos de esquerda e com o presidente Lula, que é o principal aliado nacional de Paes na disputa pelo Palácio Guanabara.
Esse compasso de espera, contudo, tem prazo de validade ditado pelo calendário eleitoral. Interlocutores da campanha avaliam que o silêncio atual pode abrir caminho para um rearranjo nas convenções partidárias de julho e agosto, que é o limite legal para os partidos carimbarem as chapas definitivas.
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Se os redutos religiosos da Baixada continuarem refratários ao projeto, haverá o argumento técnico para discutir uma alternativa para a vaga com o carro andando, poupando a campanha do ônus de uma ruptura ruidosa com o clã de Duque de Caxias.