Vendedor de fazenda de R$ 20 milhões à PortosRio é investigado pelo MP
MP fluminense investiga repasses suspeitos de verbas estaduais a empresário que ofertou fazenda à PortosRio por R$ 20 milhões

O homem que mobilizou o Gabinete da Presidência da PortosRio, estatal federal de portos, com a oferta de um terreno de R$ 20,49 milhões é um velho conhecido dos investigadores fluminenses. Ari Pessanha Monteiro, o empresário que ofereceu a Fazenda Angelim diretamente ao Gabinete da Presidência da companhia, responde a um procedimento por improbidade administrativa no Ministério Público fluminense. O roteiro traçado pelo MPRJ aponta indícios de triangulação de capital público.
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O caso investiga um vaivém bancário de grande porte na Construtora Avenida Ltda., de propriedade de Ari, entre os anos de 2016 e 2022. Para os investigadores, o volume financeiro que circulou pelas contas da empreiteira é totalmente incompatível com o faturamento declarado. Grande parte dos créditos que abasteciam a construtora vinha de contratos firmados com o Governo do Estado do Rio de Janeiro e, assim que os recursos entravam, sofriam uma transferência imediata para o patrimônio pessoal de Ari e para as contas de outra firma sua, a Imobiliária Mar e Campo Ltda.
A investigação contra o empresário conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Campos dos Goytacazes continua ativa. Em julho de 2024, o Conselho Superior do MP fluminense barrou por unanimidade o arquivamento definitivo do caso, seguindo o voto do relator Antonio José Campos Moreira para garantir a continuidade das apurações por suposto dano ao erário.
Diante desse histórico no Ministério Público, o empresário apresentou a proposta de negócio à PortosRio no fim de 2025. A diretoria executiva acelerou e aprovou inicialmente o avanço das tratativas em março de 2026, antes mesmo de os laudos finais ficarem prontos. O processo só travou quando o então superintendente de Planejamento, Eduardo Miguez, assinou o relatório apontando que 89% da fazenda ficaria ociosa e que a transação, se concluída, representaria um prejuízo para a estatal. Miguez foi destituído do cargo menos de 24 horas após o parecer contrário à compra da fazenda.
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Em protesto à decisão da cúpula, o seu substituto imediato na função, Thiago Barbieri, pediu dispensa do posto técnico e também renunciou ao assento que ocupava no Conselho de Administração da estatal.