Reportagem

TSE desmente Flávio com texto de 2020, usado contra fala que tornaria Bolsonaro inelegível

TSE reafirma que empresa venezuelana nunca forneceu urnas ou softwares usados nas eleições brasileiras e que atuou apenas no treinamento de técnicos

por João Pedro Bitencourt
22/07/2026 às 16:44 · Atualizado há 3 meses
O senador Flávio Bolsonaro e o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. Fotos: Andressa Anholete/Agência Senado; Gustavo Moreno/STF

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu a declaração do pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro de que as urnas brasileiras seriam máquinas da empresa venezuelana Smartmatic com um texto publicado pelo tribunal em 2020 e replicado em 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro fez a mesma declaração.

Leia também: Discurso de Flávio sobre urnas não mira o eleitor Brasileiro, mas, sim, Trump

De acordo com o TSE, são falsas as afirmações segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. “Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, explica o texto.

Nesta semana, durante um encontro em Brasília com embaixadores e chefes de missões diplomáticas, a exemplo do pai, Flávio ressuscitou essa teoria da conspiração que circulou em 2017 e voltou à tona em 2020, quando o TSE publicou o texto desmentindo o boato.

Em 2022, esse boato voltou com força em discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro na campanha pela reeleição. A campanha do então presidente baseou-se em espalhar inverdades sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Naquele ano, o TSE replicou o texto para desmentir a declaração sobre as urnas. Foi justamente essa fala do ex-presidente que levou à sua condenação pelo TSE um ano depois, tornando-o inelegível.

Dessa vez, o TSE não divulgou publicamente o texto. Mas, à reportagem, respondeu que já tinha uma matéria, de 2020, falando sobre o tema e divulgou o link da publicação.

O contexto das falas de Flávio Bolsonaro

Flávio citou, nesse mesmo encontro, um suposto relatório de inteligência dos Estados Unidos sobre fraudes nas eleições venezuelanas e declarou textualmente que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”.

O TSE reiterou que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. “A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras”, explicou o tribunal.

Leia o texto do TSE na íntegra:

“São falsas as mensagens que circularam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país.

As urnas brasileiras foram projetadas por servidores e técnicos a serviço da Justiça Eleitoral e são produzidas, sob a sua direta coordenação, por empresas selecionadas mediante licitações públicas e de ampla concorrência, o que garante ainda mais segurança e transparência ao processo eleitoral.

O sistema eletrônico de votação do país utiliza meios próprios e criptografados de comunicação e transmissão de dados, não tendo nenhum contato com redes públicas, como a internet. Em mais de 20 anos de trajetória, o sistema foi reiteradamente testado e comprovadamente isento de quaisquer formas de manipulação, de fraude na totalização de votos ou de quebra do sigilo do voto.

Em diversas oportunidades, o TSE reiterou que a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras.

A Smartmatic celebrou contratos com o TSE em outras ocasiões somente para a prestação de serviços de conexão de dados e voz, e não para o desenvolvimento ou operação da urna eletrônica. Além disso, a empresa participou da licitação para a fabricação de urnas eletrônicas para 2020, mas perdeu para a empresa Positivo.”

PLAYLISTS