Talita Fernandes

De Jerusalém, análises sobre política, mundo e Oriente Médio

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Análise

Trump se elegeu com ‘America first’, mas vem tentando governar mais o mundo que o próprio país

Sanções a países da América Latina, guerras no Oriente Médio e até mesmo interferências na Copa parecem importar mais a Trump do que olhar para os problemas do país que ele governa

09/07/2026 às 14:22 · Atualizado há 3 meses
Trump
Donald Trump anunciou a formação de um ‘Conselho da Paz’, um elemento-chave da segunda fase do plano apoiado pelos Estados Unidos para acabar com a guerra em Gaza. Foto: White House

Ao longo da História, a diplomacia americana empreendia métodos mais sofisticados de esconder o imperialismo americano na América Latina. Hoje, no entanto, Trump não se importa em disfarçar: apesar de ter se elegido sob o lema “America first” (“Estados Unidos em primeiro lugar”, na tradução em português), ele vem passando a maior parte do tempo tentando governar o mundo, menos o próprio país. 

Sanções a países da América Latina, guerras no Oriente Médio e até mesmo interferências na Copa do Mundo hospedada em solo americano parecem importar mais a Trump do que olhar para os problemas do país que ele governa.

E Trump faz isso de forma clara, manifestando publicamente seu desejo de controle ao usar justificativas de “segurança nacional” para mascarar retaliações de intuito econômico.

Leia também: Trump anuncia fim da trégua, EUA atacam Irã e guerra volta a preocupar o mundo

China ganha espaço na América Latina

China e os Estados Unidos disputam por mercados e recursos estratégicos na América Latina, mas o país asiático atualmente parece entender mais a linguagem das nações em desenvolvimento. Isso porque, ao contrário da força bruta e das ameaças tarifárias de Trump, Pequim adota uma estratégia muito mais sutil para expandir sua influência.

Como vimos na “diplomacia da vacina” durante a pandemia, a China prefere agir por meio de incentivos e comércio. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos sabem do poder chinês no xadrez da geopolítica na América Latina, o que, no fim das contas, obriga Trump a ter que negociar e, muitas vezes, recuar de suas ameaças.

Lula parece estar mais ‘neutro’

Diante de tudo isso, a postura do governo brasileiro tem sido cautelosa. Ao contrário de administrações petistas anteriores, o presidente Lula e o Itamaraty parecem tentar se distanciar de alinhamentos automáticos, seja com os EUA ou com mesmo com a China.

Lula sabe que pautas envolvendo regimes como Cuba, Venezuela e a própria China são alvos fáceis para os ataques do bolsonarismo. O presidente aparenta estar mais “escolado” sobre o tema e evita defender atitudes controversas desses países, coisa que já fez em seus dois primeiros mandatos, buscando neutralizar as críticas antes mesmo que elas ganhem tração nas urnas.

Assista ao Matinal desta quinta-feira (9/8) na íntegra:

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