Trump se elegeu com ‘America first’, mas vem tentando governar mais o mundo que o próprio país
Sanções a países da América Latina, guerras no Oriente Médio e até mesmo interferências na Copa parecem importar mais a Trump do que olhar para os problemas do país que ele governa

Ao longo da História, a diplomacia americana empreendia métodos mais sofisticados de esconder o imperialismo americano na América Latina. Hoje, no entanto, Trump não se importa em disfarçar: apesar de ter se elegido sob o lema “America first” (“Estados Unidos em primeiro lugar”, na tradução em português), ele vem passando a maior parte do tempo tentando governar o mundo, menos o próprio país.
Sanções a países da América Latina, guerras no Oriente Médio e até mesmo interferências na Copa do Mundo hospedada em solo americano parecem importar mais a Trump do que olhar para os problemas do país que ele governa.
E Trump faz isso de forma clara, manifestando publicamente seu desejo de controle ao usar justificativas de “segurança nacional” para mascarar retaliações de intuito econômico.
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China ganha espaço na América Latina
China e os Estados Unidos disputam por mercados e recursos estratégicos na América Latina, mas o país asiático atualmente parece entender mais a linguagem das nações em desenvolvimento. Isso porque, ao contrário da força bruta e das ameaças tarifárias de Trump, Pequim adota uma estratégia muito mais sutil para expandir sua influência.
Como vimos na “diplomacia da vacina” durante a pandemia, a China prefere agir por meio de incentivos e comércio. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos sabem do poder chinês no xadrez da geopolítica na América Latina, o que, no fim das contas, obriga Trump a ter que negociar e, muitas vezes, recuar de suas ameaças.
Lula parece estar mais ‘neutro’
Diante de tudo isso, a postura do governo brasileiro tem sido cautelosa. Ao contrário de administrações petistas anteriores, o presidente Lula e o Itamaraty parecem tentar se distanciar de alinhamentos automáticos, seja com os EUA ou com mesmo com a China.
Lula sabe que pautas envolvendo regimes como Cuba, Venezuela e a própria China são alvos fáceis para os ataques do bolsonarismo. O presidente aparenta estar mais “escolado” sobre o tema e evita defender atitudes controversas desses países, coisa que já fez em seus dois primeiros mandatos, buscando neutralizar as críticas antes mesmo que elas ganhem tração nas urnas.
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