Luiz Mauricio Azevedo

Crítica literária, dicas, insights e tretas. Nessa ordem

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Artigo

Céu azul na costa leste: a literatura e o 11 de setembro

Três romances para tentar entender os fatídicos acontecimentos de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos

Publicado em 05/09/2026 às 06:00
literatura do 11 de setembro
Vista de Manhattan, Nova York, nos Estados Unidos (Jess Chen/Pexels)

Na manhã do dia 11 de setembro de 2001, quatro aviões cruzaram o céu dos Estados Unidos, mudando a geopolítica e a literatura. Metade do mundo achou que o mundo fosse acabar. A outra metade comemorou. Sendo eu um oportunista cretino, preparei um top 3 dos melhores romances sobre o tema:

O 11 de setembro na literatura

3 – “Windows on the world“

Escrito por Frédéric Beigbeder, amigo de Michel Houellebecq e outro enfant terrible da literatura francesa, esse livro conta a história fictícia de um pai de família preso no restaurante que funcionava nos andares 106º e 107º da Torre Norte do World Trade Center. A história é contada com uma mistura incomum de melodrama e sarcasmo; uma metáfora sobre os limites da paternidade e a resiliência assustadora do discurso da masculinidade.

Leia também: Leia antes de se queimar: a destruição nossa de cada dia

2 – “Extremamente alto e incrivelmente perto“

Aqui, Jonathan Safran Foer, figura obrigatória de todo curso de criação literária dos anos dois mil, conta a história de um menino que procura abafar, com meticulosidade e inteligência, a erosão emocional da orfandade. Bom livro, que virou até filme com o Tom Hanks. Se o filme é bom? Daí vocês vão ter que perguntar pro meu amigo Miguel.

1 – “Homem em queda“

Embora o foco principal do livro seja o trauma dos sobreviventes do 11 de setembro e a performance perturbadora de um artista de rua, Don DeLillo faz algo ousado: ele também entra na mente de um dos terroristas. O resultado é um desconfortável sentimento de que certas tragédias nos jogam num labirinto de sentidos, do qual a gente só sai se aceitar deixar um pedaço de nós mesmos para trás. Alta literatura!

Dos quatro aviões do 11 de setembro, um deles caiu na Pensilvânia, mas tinha destino certo: o Capitólio. Os outros três foram lançados como mísseis contra o prédio do Pentágono, na Virgínia, e contra o complexo do World Trade Center. No total, duas mil novecentas e seis pessoas perderam a vida nesse dia. Lembrar delas é proteger seus sonhos.

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Muita gente acredita que as causas políticas justificam o derramamento de sangue e que cada cadáver inimigo vinga nossos mortos esquecidos. Se o sangue dos outros nos ajudasse a tomar das mãos do tempo aquilo que nos foi tirado, eu não teria problema algum em me sujar com ele; se a espada cravada no coração dos que praticam o mal matasse o mal, eu mesmo forjaria uma katana, com símbolo do Internacional na empunhadura. Mas nem o sangue nem a espada refazem o jardim, a escola, a rotina da paz. Vingança não é plataforma política. 

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