Reportagem

Debate global sobre regras para trabalho em aplicativos deve ditar ritmo de PL no Congresso

Encontro na Suíça define normas para trabalho em aplicativos de plataformas digitais

por Gustavo Silva
01/06/2026 às 12:45 · Atualizado há 4 meses
Rovena Rosa/Agência Brasil

Começou nesta segunda-feira, 1º, em Genebra, na Suíça, a 114ª Conferência Internacional do Trabalho, promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O principal foco do encontro deste ano é a definição do texto final de uma convenção global que vai estabelecer regras para o trabalho em aplicativos de celular, como os serviços de transporte e de entrega de mercadorias.

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No Brasil, as negociações saíram temporariamente do Congresso Nacional após o governo e os comitês de trabalho acordarem o adiamento da proposta de lei sobre o tema. Diante do impasse no Legislativo, a disputa se concentrou no Supremo Tribunal Federal (STF), que passou a julgar se existe ou não vínculo de emprego entre os trabalhadores e as plataformas de tecnologia. É por isso que o debate em Genebra serve de referencial para as futuras decisões jurídicas e políticas no cenário nacional.

Se o documento for aprovado ao final das duas semanas de discussões, ele vai funcionar como um tratado internacional. Os países que aderirem ao texto serão obrigados a adaptar suas leis internas para garantir direitos mínimos e proteção social aos profissionais do setor tecnológico. A discussão atual dá sequência a uma rodada inicial de debates que aconteceu no ano passado, quando ficou decidido que o resultado do encontro seria um conjunto de normas obrigatórias, e não apenas recomendações opcionais.

Trabalho em aplicativos: decisões devem seguir princípio tripartite da OIT

O modelo de decisões da OIT se baseia no princípio tripartite, composto de três bancadas com interesses diferentes: governos, representantes das empresas e representantes dos trabalhadores.

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No comitê dos trabalhadores, liderado por centrais sindicais, a defesa é pela adoção de diretrizes parecidas com as aprovadas recentemente na União Europeia. O grupo exige maior clareza sobre o funcionamento dos algoritmos das empresas responsáveis por determinar a distribuição de serviços, o cálculo de tarifas e a suspensão de contas. A bancada também cobra garantias de previdência social e mecanismos para conter o que considera falsas contratações de profissionais autônomos.

Por outro lado, a bancada dos empregadores aponta que a atividade econômica por plataformas digitais precisa de flexibilidade jurídica para manter o modelo de negócios funcionando. Entidades empresariais e companhias de tecnologia defendem que o documento internacional não deve impor regras que levem ao reconhecimento automático de vínculo empregatício tradicional. O setor patronal afirma que o engessamento das normas pode elevar os custos operacionais, o que impactaria os preços cobrados dos consumidores finais e reduziria a oferta de vagas.

A delegação oficial do Brasil na Suíça reflete a divisão das bancadas da OIT. A representação dos empregadores nacionais conta com integrantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). 

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Já a bancada que representa os profissionais é formada por dirigentes de entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Geral dos Trabalhadores (UGT). 

Membros do Ministério do Trabalho e diplomatas do Ministério das Relações Exteriores completam a comitiva governamental.

Adesão do Brasil ao debate da OIT sobre trabalho em aplicativos

Embora a convenção ainda esteja em negociação, e o texto final só seja definido ao término da conferência da OIT, a expectativa é que o Brasil acompanhe o acordo internacional. Após eventual aprovação pela OIT, caberá ao governo federal encaminhar o documento ao Congresso Nacional, que terá a palavra final sobre a adesão do país.

Empresas e sindicatos participam das negociações em Genebra, mas não têm poder de veto nessa etapa. Caso seja ratificada pelo Legislativo e promulgada pelo presidente da República, a convenção passará a integrar o ordenamento jurídico brasileiro.

No entanto, o debate nacional já está em curso, tanto no Congresso, onde tramita uma proposta de regulamentação do trabalho por aplicativos, quanto no Supremo, que analisa a existência de vínculo empregatício entre trabalhadores e plataformas.

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