Reportagem

Terremoto de magnitude 7,5 atinge Caracas, e prédios desabam; mortos já são 164

Houve dois tremores de grande intensidade na Venezuela, com diferença de um minuto. Balanço mais recente, divulgado na manhã desta quinta, registra 164 mortos e quase mil feridos

24/06/2026 às 21:15 · Atualizado há 3 meses
Terremoto derruba prédios em Caracas, na Venezuela
Trabalhadores de resgate tiram, em uma maca, pessoa de um prédio que desabou durante terremoto em Caracas (Juan Barreto/AFP)

Um terremoto de magnitude 7,5 atingiu o norte da Venezuela nesta quarta-feira (24) e provocou cenas de pânico em Caracas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e relatos de jornalistas da AFP. O tremor principal ocorreu 39 segundos depois de um primeiro abalo, de magnitude 7,2, em um evento sísmico duplo registrado na região norte do país.

Ainda na noite de quarta, o USGS estimava “elevado número de mortos”. Vários prédios desabaram, e trabalhadores de serviços de emergência estavam atendendo a centenas de chamados na capital venezuelana. Na manhã desta quinta-feira (25/6), o governo da Venezuela divulgou balanço com 164 mortos e quase mil feridos.

De acordo com o USGS, o epicentro do terremoto de maior magnitude foi localizado 16 quilômetros a sudoeste de Morón, no estado de Carabobo, a uma profundidade de 10 quilômetros. O órgão americano avalia que há possibilidade de danos e vítimas em larga escala, e alertou para o risco de réplicas nas próximas horas ou dias, algumas delas potencialmente fortes.

O primeiro tremor foi registrado às 22h04 GMT (19h04 em Brasília), também nas proximidades de Morón. O abalo foi sentido em várias regiões da Venezuela, na Colômbia e até no norte do Brasil, como em Manaus e Belém.

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O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico (PTWC) informou que a ameaça de tsunami no Caribe provocada pelo terremoto já foi encerrada e que não há mais risco associado ao tremor. Em comunicados anteriores, o órgão havia emitido um alerta para Porto Rico e as Ilhas Virgens, depois rebaixado para aviso, mas cancelou a recomendação após revisar os parâmetros do terremoto e concluir, com base nos dados disponíveis, que o sismo não gerou um tsunami destrutivo.

Em Caracas, houve correria em um centro comercial movimentado no bairro de Altamira, segundo uma jornalista da AFP que estava no local. O chão começou a tremer, prateleiras de lojas caíram e clientes deixaram o prédio às pressas.

“Foi impressionante, nem sei dizer quanto tempo durou. Eu estava no último andar do shopping. Muitas coisas caíram dentro das lojas. Saímos pelas escadas de emergência, e nos orientaram a deixar o prédio por ali”, relatou à AFP a comerciante Heidi Romero, de 42 anos.

“As escadas se desprenderam, a parede rachou inteira. Coisas caíram do teto. Foi horrível”, afirmou Odalis Escalona, de 54 anos, funcionária de um banco.

Alguns pontos da capital ficaram sem energia elétrica. Dezenas de pessoas que deixaram prédios em Caracas permaneceram nas ruas por alguns minutos antes de retornar a escritórios e residências.

Carmen Guédez, de 69 anos, contou que estava no quarto da irmã, que é acamada, quando o tremor começou.

“Foi aumentando de intensidade”, disse à AFP a administradora, que mora em um bairro de classe média nas montanhas de Caracas. “Comecei a ver as janelas balançando e, depois, tudo começou a sacudir.”

“Minha irmã, uma vizinha e eu ficamos rezando, abraçadas ali. Não dava para sair. Os vizinhos ainda estão na rua”, acrescentou.

Há registros anteriores de terremotos na Venezuela. Entre os mais marcantes das últimas décadas estão o de Cariaco, no nordeste do país, em 1997, e o de Caracas, em 1967.

O sismo desta quarta também foi sentido em Bogotá, capital da Colômbia, onde luminárias balançaram, alarmes dispararam e alguns moradores deixaram os prédios por precaução, segundo jornalistas da AFP.

*Com informações da AFP

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