Governo culpa família Bolsonaro por tarifaço e anuncia que acionará lei de reciprocidade
Além de acionar Lei de Reciprocidade, Planalto vai recorrer à OMC e reforçar Plano Brasil Soberano em resposta ao tarifaço dos EUA

O governo brasileiro atribuiu o tarifaço imposto pelos Estados Unidos à “ativa colaboração” da família Bolsonaro. Em nota publicada no início da madrugada desta quinta-feira (16/7), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República chamou os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro de “falsos patriotas” movidos por objetivos eleitoreiros. Os dois se reuniram com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em maio, mas negam qualquer participação na medida.
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O Planalto anunciou que vai iniciar imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos. A decisão foi comunicada na madrugada desta quarta-feira (15/7), poucas horas após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmar a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
O governo também disse que vai retomar a discussão no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). No mesmo texto, o Planalto classificou como “marco lastimável” a decisão e repudiou a medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, afirmando que ela carece de qualquer justificativa.
Segundo o texto, o próprio governo americano reconhece, em suas estatísticas, que os Estados Unidos acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit comercial de bens e serviços com o Brasil. A nota destaca ainda que, em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no país sem pagar imposto de importação, com alíquota média efetiva de apenas 3,1% sobre produtos norte-americanos — números usados pelo governo brasileiro para sustentar que não há desequilíbrio comercial que justifique sanções.
Para amenizar o impacto da medida, o governo prometeu manter, por meio do Plano Brasil Soberano, medidas de proteção aos setores afetados pelas tarifas, com o objetivo de preservar empregos e a capacidade produtiva nacional. A nota mencionou ainda outras parcerias comerciais, citando os acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura como exemplos de novos mercados abertos para os produtos brasileiros.
Brasil rebate acusações sobre Pix e desmatamento
O governo brasileiro afirmou que atuou junto ao USTR ao longo do último ano, apresentando evidências para refutar as alegações que embasaram a investigação da Seção 301 — entre elas, as críticas ao modelo do Pix e à regulação de plataformas digitais.
Na nota, o Planalto disse que as acusações contra o sistema de pagamentos eram descabidas. Já no anúncio da medida, o USRT disse que houve “falta de empenho” por parte do Brasil para negociar com os Estados Unidos.
O texto afirmou que o Pix era um patrimônio nacional e que as acusações americanas sobre desmatamento eram absurdas, argumentando que o Brasil reduziu de forma expressiva o desmatamento em todos os biomas desde 2023. Em outro trecho, o governo defendeu a regulação de conteúdo digital no país afirmando que “a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade”.
A nota ainda menciona que, nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana anterior ao anúncio, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e americano foram contrárias à aplicação do tarifaço.
Crítica direta à família Bolsonaro
Além de chamar os irmãos Bolsonaro de “falsos patriotas”, o texto afirma que “não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições” e que a defesa da soberania nacional “está acima de todos os partidos e todas as tendências”.
A nota foi divulgada em meio a uma disputa política que já colocou o tarifaço no centro do debate eleitoral, com aliados de Lula associando o apelido de “tariflávio” ao senador do PL, enquanto Flávio Bolsonaro nega qualquer ligação com a ameaça tarifária dos Estados Unidos.