Beatriz Bulla

Análises sobre política e economia

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Análise

Trump X Suprema Corte: decisão sobre tarifaço indica que alguém pode frear presidente

Limite político imposto pelos juízes, ainda que de maioria conservadora, tem o poder de mudar o jogo nos EUA

25/02/2026 às 19:06 · Atualizado há 8 meses
Presidente americano Donald Trump em foto de dezembro de 2025 (Foto JIM WATSON / AFP)

O movimento da Suprema Corte dos Estados Unidos foi raro. Os juízes, de maioria conservadora, até agora não tinham mostrado disposição para derrubar as bandeiras de Donald Trump neste segundo mandato – embora ele tenha dado passos e tanto para além das linhas de limite presidencial estabelecidas pela constituição americana.

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A Suprema Corte tem, atualmente, uma supermaioria conservadora. Seis dos nove juízes do tribunal foram indicados por republicanos, sendo três deles pelo próprio Trump.

A linha que os juízes desenham, agora, no chão para a questão do tarifaço tem importância que vai muito além de seus efeitos econômicos. A julgar por como a Corte irá responder ao ímpeto de Trump de desrespeitá-la, podemos estar diante do ponto de virada na contenção, por este poder, dos excessos do presidente.

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O debate sobre o tarifaço foi decidido por 6 a 3. Seis juízes entenderam que Trump excedeu o poder presidencial com a imposição de tarifas globais como política pública, sem anuência do Congresso. O que provoca a ira de Trump é que dentro destes seis votos há alguns que o presidente contabilizava como aliados: Neil Gorsuch, Amy Coney Barrett e o presidente, John Roberts.

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Gorsuch e Barrett foram nomeados por Trump em seu primeiro mandato. Já Roberts foi nomeado por George W. Bush e, ao longo da sua trajetória, ora se aliou à ala mais conservadora, ora à mais progressista (que os americanos chamariam de mais liberal). Mas desde o período pré-eleitoral de 2024, Roberts esteve em alta conta com Trump. Foi dele a opinião legal que garantiu imunidade a presidentes que respondem criminalmente por atos oficiais realizados no curso do mandato e abriu caminho para Trump não responder à justiça pela tentativa de interferência na eleição de 2020 e pelo 6 de janeiro.

A decisão da Suprema Corte sobre o tarifaço indica que alguém pode colocar freio em Trump, algo que, até então, parecia que não aconteceria.

Assista à íntegra da análise de Beatriz Bulla no Matinal desta quarta-feira (25/2):


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