STF deve seguir nos holofotes em 2026
Em pleno ano eleitoral, Corte seguirá no centro do debate público ao dar sequência às condenações da trama golpista, além de avançar com processo de indicação de novo ministro para vaga de Barroso

O Supremo Tribunal Federal (STF) entra em 2026 já nos holofotes, e tudo indica que deve permanecer ali. Já há alguns anos no centro do debate público, a Corte segue na mira de críticas de diferentes setores da sociedade e também da classe política. Esse prolongamento da exposição se conecta diretamente às disputas de poder em Brasília e pode ter consequências políticas concretas no próximo ciclo eleitoral.
Os casos julgados pelo STF relacionados à trama golpista seguirão produzindo efeitos práticos, com a execução das penas, as imposição de prisões e medidas cautelares que manterão o tema vivo no debate público. Esse processo tende a inflamar uma parcela da sociedade alinhada ao bolsonarismo, que enxerga o Supremo como um ator controverso da política brasileira.
Nesse sentido, uma das grandes incógnitas para 2026 é como a sociedade vai responder nas urnas a esse protagonismo do STF, visto que pode eleger um Congresso mais hostil à Corte, especialmente um Senado mais disposto a discutir pedidos de impeachment de ministros.
Indicação de Messias e caso do Banco Master
Mas o tribunal começa o ano sob escrutínio também por outras razões. Uma delas é a vaga a ser preenchida, a do ex-ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou, e para a qual Lula indicou Jorge Messias. A indicação ainda depende da sabatina e da aprovação do Senado, mas o clima político em torno desse processo continuará rendendo assunto, haja vista o recente desgaste entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A outra razão se deve a recentes episódios envolvendo relações entre ministros e agentes privados, como no caso do Banco Master, que ampliam o debate sobre transparência e reforçam a exposição de figuras centrais do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Tudo isso contribui para um ambiente em que a discussão sobre o Supremo tende a ficar cada vez mais quente. E esse debate é de interesse geral do público, porque para nós, cidadãos, importam que as instituições sejam robustas e capazes de exercer suas funções, e que atuem com legitimidade democrática, reconhecida pela população. Há muito em disputa nessa reorganização de forças que o país vem assistindo nos últimos anos: um Executivo mais fragilizado frente a um Congresso mais fortalecido e um Supremo muito atuante, todos tensionando esse equilíbrio de forças.
No fim do ano, circulou nas redes sociais um meme que arrancou risadas, mas que carregava um alerta sério: “Aproveitem o Natal com as suas famílias, porque 2026 é ano de eleição”. A frase resume um temor já conhecido: o de que a polarização política volte a atravessar e dividir relações pessoais, familiares e afetivas.
Evitar que isso se repita é parte do desafio que se coloca. Que 2026 seja um ano em que se consiga falar de política o tempo todo — inclusive no Natal — e também com quem pensa diferente, sem que isso signifique romper laços.
Assista abaixo à análise de Beatriz Bulla no programa Matinal desta sexta-feira (2):