Banco Master: plano de Fachin para blindar STF busca ‘saída honrosa’ de Toffoli do caso
Paralelamente, presidente da Corte busca emplacar um novo código de conduta sob o desafio de dissociá-lo do caso envolvendo o banco

As conversas de bastidores em Brasília indicam que o Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma tempestade de ordem ética, e não apenas jurídica. São atos envolvendo o caso do Banco Master que não dizem respeito ao desempenho técnico dos ministros, mas, sim, às relações privadas que contaminam a legitimidade e a percepção da sociedade sobre a isenção do tribunal. Trata-se de uma crise grave.
Ao conceder entrevistas recentes, fato que é raro, o ministro Edson Fachin enviou recados claros e trouxe possibilidades para resolver este impasse. Não é um movimento trivial para um presidente que costuma evitar declarações públicas, mas reflete o sentimento de que o momento é crítico.
O STF hoje vive sob um nível de escrutínio social e político que não existia havia 20 anos. Críticas às relações de ministros com agentes privados sempre existiram, mas o mundo de 2026 impõe uma vigilância muito maior, o que é saudável, mas também exige respostas. No centro do problema está uma investigação enorme, o Caso Master, com diversas ramificações e conexões entre ministros e agentes investigados.
O ‘problemão’ e as rotas de fuga
Nas entrevistas concedidas, Fachin indica uma saída: de que o caso saia das mãos do Supremo. A possibilidade aventada internamente é que, se os primeiros relatórios da Polícia Federal não apontarem autoridades com foro privilegiado, a investigação seja remetida para a primeira instância da Justiça.
O ministro Dias Toffoli não vai descartar a possibilidade de continuar no comando se os primeiros relatórios da PF, de fato, não trouxerem autoridades com foro privilegiado. Esse seria o melhor cenário para o Supremo: tirar do STF essa ”bomba”, mandar para a primeira instância e tirar das mãos de Toffoli como uma saída ”honrosa”. E não como uma saída determinada pelo presidente da Corte ou por seu colegiado, nem mesmo motivada por pressões do Congresso, que já vai começar com pedidos de impeachment. Seria uma saída boa para Toffoli e para a imagem da instituição.
O novo código de conduta e o impasse interno
Paralelamente, Fachin tenta emplacar uma agenda de transparência através de um novo código de conduta. O desafio é político: ele precisa dissociar o código do caso Master. O objetivo é estabelecer requisitos claros sobre o que os ministros podem ou não fazer fora do ambiente de toga, exigindo transparência em suas relações de amizade e contatos sociais e profissionais.
Embora o caso do Banco Master dê fôlego a essa agenda, ele também a torna delicada, uma vez que, enquanto o processo estiver nas mãos de Toffoli, qualquer movimento pode resultar em uma derrota de Fachin perante seus pares.
O fato é que o Supremo hoje se vê jogado no fundo de uma crise sem solução imediata e, apesar das sinalizações de Fachin de que não vê razão para o caso estar na Corte, o tribunal ainda não vislumbra como sair deste labirinto. E não foram as entrevistas do presidente do STF que resolveram o problema.
Assista a íntegra do comentário de Beatriz Bulla ao Matinal desta quinta (29):