Entrevista

Sou um político ‘agro raiz’, e não ‘sabor agro’, diz Caiado em referência a Flávio

Agronegócio ainda não fechou seu apoio a Flávio Bolsonaro, e entrada de Caiado nas disputas pode dividir voto do setor

por Thamires Almeida
06/05/2026 às 15:45 · Atualizado há 5 meses
Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência, afirma que sua vida foi pautada na defesa da agricultura e pecuária (Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados)

Pré-candidato à presidência pelo PSD e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado alfinetou seu virtual oponente pelos votos da direita nas próximas eleições, o senador Flávio Bolsonaro (PL), ao declarar que ele próprio é um político “agro raiz”, e não um político “sabor agro”, em referência ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A fala ocorreu em entrevista ao Matinal desta quarta-feira (6), quando Caiado foi questionado por que os segmentos do agronegócio e dos evangélicos deveriam optar por ele, em vez de Flávio, como o principal nome para representar a direita nas eleições deste ano.

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Segundo Caiado, sua trajetória política foi pautada por décadas de defesa da agricultura e da pecuária, desde quando o produto rural era o “patinho feio”.

“Todo mundo hoje quer defender a agropecuária. Mas há 40 anos, onde estavam eles? Então, a coerência de vida é o exemplo. Você governa pelo seu exemplo de vida”, afirmou.

Nas eleições de 2018, o agronegócio formou base ampla para eleger o ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, agora, o setor ainda evita fechar apoio a Flávio ao manter postura cautelosa, à espera de uma alternativa mais viável na direita.

Ex-senador e ex-deputado federal, além de ex-governador de Goiás, Caiado também criticou Flávio pela falta de experiência em governar, visto que o filho do ex-presidente só teve cargos legislativos em sua carreira política.

“Para operar seu filho, você chama o médico experiente, e não o filho do cirurgião”, disse, em alusão ao parentesco direto com Jair Bolsonaro.

Caiado e os evangélicos

Como segundo nome da direita, Caiado busca forças em outros grupos que têm pé atrás com o filho do ex-presidente Jair, e um deles são os evangélicos. Apesar de apoiarem Flávio, não receberam sua pré-candidatura com a mesma empolgação que a do seu pai.

Caiado afirmou que os evangélicos foram fundamentais para ele conseguir se eleger como governador de Goiás. O pré-candidato disse ainda que defende as mesmas pautas que o grupo e que, por isso, os religiosos simpatizam com a sua pré-candidatura.

“Sou homem de família, sou homem que, como deputado federal e senador da República, derrotei todas as tentativas de avanço no aborto, mantendo o que existe na legislação brasileira”, afirmou ao Amado Mundo.

Uma das razões para que o eleitorado de direita ainda não tenha declarado o amplo apoio a Flávio, como feito com Bolsonaro, é que a expectativa era de que Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, saísse para as disputas presidenciais — o que não aconteceu. O governador de São Paulo possui maior simpatia dos segmentos que Flávio ainda busca: agronegócio e evangélicos. 

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A terceira via

Caiado vem tentando se colocar como uma alternativa à polarização que marca a política brasileira ferrenhamente desde 2018, entre a extrema-direita e a centro-esquerda. Pesquisas mostram um cenário difícil para um terceiro nome, visto que está tudo em torno de Lula e Flávio Bolsonaro.

No entanto, apesar da distância percentual entre os dois pré-candidatos da direita em um primeiro turno dominado pelo antagonismo entre Lula (PT) e Flávio, Caiado consegue ocupar o espaço de Flávio em um eventual segundo turno disputado contra Lula: 44,7% para o petista, e Caiado com 40% das intenções de voto, segundo pesquisa mais recente da Real Time Big Data.

Veja a entrevista completa no Matinal:

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