Talita Fernandes

De Jerusalém, análises sobre política, mundo e Oriente Médio

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Análise

Sobrenome Bolsonaro sustenta Flávio na direita, mas não vence Lula, mostra pesquisa

Pesquisa sem Jair Bolsonaro testa Flávio como herdeiro e mostra rejeição elevada, fragmentação da direita e Lula ainda confortável no centro do tabuleiro eleitoral.

17/12/2025 às 15:18 · Atualizado há 10 meses
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante caminhada pela anistia realizada na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Foto: Beto Barata/Flickr PL

A primeira pesquisa presidencial de 2026 sem Jair Bolsonaro na urna oferece menos respostas sobre o futuro e mais pistas sobre o presente da direita brasileira.

O levantamento da Quaest, realizado entre 11 e 14 de dezembro, testa pela primeira vez o nome de Flávio Bolsonaro como candidato indicado pelo pai e revela um paradoxo: o sobrenome ainda pesa, mas já não organiza sozinho o campo conservador.

Flávio aparece numericamente à frente de outros nomes da direita no primeiro turno, como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, mas isso não se traduz em competitividade real.

Em todos os cenários de segundo turno, Lula vence com margem confortável. Mais do que isso: 62% dos entrevistados dizem que não votariam em Flávio de jeito nenhum, um índice de rejeição que sugere algo além da polarização clássica entre lulismo e bolsonarismo.

Percepção forte de improviso no campo da direita

Há um contingente relevante de eleitores que não quer Lula, mas tampouco aceita a sucessão automática do bolsonarismo pelo herdeiro.

Esse dado ajuda a entender outro ponto sensível da pesquisa: a divisão sobre o papel da candidatura de Flávio. Para 49%, ele seria o nome da direita até o fim. Para 38%, porém, trata-se de uma candidatura instrumental, usada como moeda de negociação política, especialmente após o próprio Flávio afirmar que sua candidatura “tem um preço”.

A percepção de improviso e transação contamina a tentativa de apresentá-lo como alternativa sólida.

Ao mesmo tempo, a pesquisa expõe a dificuldade da direita em construir um nome que, sem Bolsonaro, seja capaz de unificar o campo e disputar o centro.

Os governadores testados patinam em intenção de voto, e nenhum deles consegue, por ora, se apresentar como herdeiro natural de um eleitorado que segue numeroso, mas fragmentado.

Do outro lado do tabuleiro, Lula aparece menos ameaçado do que se poderia supor a menos de um ano da eleição. Além de liderar todos os cenários eleitorais, o presidente vê sua avaliação estabilizar após oscilações recentes, ainda dentro da margem de erro, mas interrompendo uma tendência de queda.

A pesquisa também mostra que a maioria reconhece algum papel de Lula na reversão das tarifas impostas pelos Estados Unidos, um dado que dialoga com a aposta do Planalto na política externa como ativo político.

A fotografia captada pela Quaest sugere que 2026 ainda está longe, mas uma coisa já se desenha com clareza: sem Jair Bolsonaro na urna, a direita não entra automaticamente em campo com um sucessor competitivo. E Lula, por enquanto, segue jogando praticamente sozinho no centro do tabuleiro.

Assista à análise de Talita Fernandes no Matinal desta quarta-feira (17):

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