Letícia Duarte

De NY, análises sobre o mundo e os EUA

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Análise

Sensação nos Estados Unidos é de que o Irã saiu ganhando no acordo com Trump

A tentativa de terminar o que o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou ainda é frágil – e não parece estar perto de se consolidar

19/06/2026 às 16:21 · Atualizado há 4 meses
Acordo
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado do governo norte-americano, Marco Rubio (Daniel Torok/The White House)

Entre os norte-americanos, o sentimento predominante neste momento é de que o Irã saiu ganhando no recente acordo com o governo Trump. Uma frase dita por Donald Trump em 2020 ressurgiu no G7, em 2026, e resume bem esse espírito: “O Irã nunca ganhou uma guerra, mas nunca perdeu uma negociação”. Ao recuar pouco, demonstrar uma capacidade de resistência acima do esperado e ainda conseguir abrir discussões sobre o ponto central do seu programa nuclear, o regime de Teerã parece ter ditado o ritmo desse acordo preliminar.

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O documento, assinado por Donald Trump no Palácio de Versalhes, na França, é na verdade um memorando para abrir negociações de paz, que estabelece uma trégua de 60 dias para que os termos definitivos sejam discutidos. No entanto, o otimismo inicial do presidente dos EUA  já enfrenta obstáculos.

A primeira rodada de conversas, que deveria ocorrer hoje na Suíça, foi cancelada. O vice-presidente, J.D. Vance, desistiu da viagem e disparou críticas a Israel. O Irã, por sua vez, avisou que não avançará enquanto os ataques israelenses ao Líbano não cessarem. Israel e o Hezbollah, grupo paramilitar libanês apoiado pelo Irão, anunciaram horas depois um cessar-fogo, o que pode destravar as negociações para executar o acordo inicial.

Reação dos norte-americanos ao acordo 

Embora os estadunidenses estejam sentindo que o Irã “saiu ganhando” com o acordo preliminar, há um sentimento de alívio na população americana, visto que a guerra nunca foi popular no país e a maioria dos cidadãos anseia pelo encerramento de um conflito que, na visão de muitos, jamais deveria ter sido iniciado. 

No campo econômico, o governo Trump enxerga na queda dos preços do petróleo e da gasolina uma oportunidade de entregar uma vitória concreta ao eleitorado, o que é considerado um fator crucial em um ano de eleições de meio de mandato. Inclusive, os mercados financeiros já reagiram de forma positiva à perspectiva de normalização do fluxo energético, apresentando alta nas bolsas e queda no valor do barril a partir do anúncio da assinatura do memorando.

No entanto, esse avanço resultou em uma crise com aliados tradicionais. Israel classificou o entendimento como uma “captura catastrófica”, o que deixou a relação histórica entre as duas nações profundamente abalada, especialmente após as críticas de Vance.

Apesar da tentativa de Trump de vender o pacto como vantajoso para os EUA, analistas apontam que ele está apenas tentando resolver um problema que ele mesmo criou. Com os custos de transporte e logística ainda altíssimos e a incerteza sobre a passagem pelo Estreito de Ormuz, o cenário permanece frágil e a sensação é de que o governo americano está apenas tentando voltar à estaca zero.

Confira o Matinal desta sexta (19/6) na íntegra:

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