Reportagem

Ainda sem efeito do tarifaço, balança comercial registra superávit de US$ 526,3 mi na semana

Apesar de sobretaxas, mercado vê impacto nulo no resultado da balança comercial no ano; cálculo estima impacto de apenas 0,3% nas exportações em relação ao cenário base

por João Pedro Bitencourt
20/07/2026 às 22:54 · Atualizado há 3 meses
balança comercial
© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os dados da Balança Comercial divulgados nesta segunda-feira, 20, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), referentes à 3ª semana de julho, serão os últimos sem o efeito do Tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Os efeitos da sobretaxa passam a valer nesta quarta-feira, 22. Mercadorias já em trânsito passam a ser taxadas a partir do dia 29.

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Os resultados da última semana mostraram novo superávit na balança comercial: US$ 526,3 mi nesta semana e US$ 4,95 bi acumulados no mês. As exportações de julho, até o momento, cresceram 6,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já o superávit acumulado no ano é 36,7% maior que no mesmo intervalo de 2025.

O mercado não projetou, para o resultado de 2026, grandes variações no saldo da balança comercial. O boletim Focus mostra que a estimativa de US$ 76,2 bilhões mantém-se inalterada há quatro semanas, ou seja, desde antes do anúncio das novas tarifas.

Já a previsão do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 90,0 bilhões neste ano, crescimento de 32,3% em relação a 2025. O mestre em economia Rafael Prado, da GO Associados, considera a projeção otimista e acredita que pode haver uma revisão para baixo, mas que o resultado tende a ficar, ainda assim, acima da expectativa do mercado.

Impacto nulo sobre a atividade

Apesar de considerar otimista a projeção do governo, Prado avalia que o impacto do tarifaço será praticamente nulo sobre a atividade exportadora. “Apesar da perda de participação dos Estados Unidos em nossas exportações, o Brasil vem conseguindo diversificar os mercados”, pontuou.

A GO Associados estima uma queda de apenas 0,3% nas exportações em relação ao cenário base. O cálculo foi feito com base em um modelo de equilíbrio geral computável, liderado pelo consultor da GO Associados, Eduardo Dornelas.

“O cenário base considerava as tarifas globais de 10% da seção 122 e a seção 232, sobre aço e alumínio”, explicou Prado. “No entanto, essas tarifas globais de 10% vão cair, porque a seção 122 vai expirar para todos os países.”

O economista ponderou que pode haver um impacto maior sobre preços do que sobre a atividade. “Há um potencial deflacionário das tarifas, dado o aumento da oferta doméstica. Por outro lado, o aumento da incerteza comercial pode depreciar a taxa de câmbio e gerar inflação por essa via. Então, é ambíguo, e ainda é cedo para dizer qual é o efeito líquido”, concluiu.

Queda na indústria de transformação na balança comercial preocupa

A participação da indústria de transformação nas exportações caiu de 54,2% para 51,5%, enquanto a indústria extrativa avançou de 23% para 25% no período.

“A indústria extrativa tem sido muito beneficiada por conta do conflito no Oriente Médio. E, dada a importância do petróleo para a nossa economia, isso é uma consequência óbvia do cenário externo para as exportações brasileiras”, afirmou Prado

No entanto, o economista afirma que a queda de participação da indústria de transformação é motivo de atenção, pois indica uma economia que, apesar de ainda crescer, já desacelerou e não consegue avançar nos setores da indústria que de fato geram crescimento sustentado no longo prazo.

Exportações crescendo mais que as importações é sinal de desaceleração da economia

Uma primeira leitura dos dados preliminares de julho, segundo Prado, aponta para um cenário típico de economia em desaceleração: exportações crescendo mais que as importações.

“Isso porque, quando uma economia está sobreaquecida, falta capacidade produtiva suficiente e as importações dão um salto, já que a oferta doméstica não consegue suprir a demanda. Esse movimento foi observado com força em 2024 e 2025, mas já vem caindo e o dado mais recente, até a terceira semana de julho, reforça esse cenário”, concluiu.

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