Guilherme Amado

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Com João Pedroso de Campos (subeditor), Gustavo Silva, João Pedro Bitencourt e Jade Abreu

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Reportagem

Secretaria de Futebol do governo vê risco e sugere levar negócio de R$ 950 milhões da FFU ao MPF⁠

Pasta questiona o uso dos direitos de TV dos clubes como garantia financeira e aponta violação à Lei Geral do Esporte pela FFU

por Guilherme Amado e Gustavo Silva
01/07/2026 às 21:22 · Atualizado há 3 meses
FFU / LIGA FORTE UNIÃO / FUTEBOL FORTE UNIÃO
Foto: Divulgação

A Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, do Ministério do Esporte, recomendou que a pasta acione o Ministério Público Federal para avaliar uma operação de R$ 950 milhões da investidora da liga Futebol Forte União (FFU), a Sports Media Entertainment (SME), que deu como garantias futuros direitos de transmissão dos jogos na TV pertencentes aos clubes. A operação da SME para captar quase R$ 1 bilhão no mercado financeiro foi noticiada pela coluna em junho.

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A manifestação da Secretaria, assinada nessa terça-feira, 30, está focada nas cláusulas que preveem o vencimento antecipado do contrato. Se a transação for contestada na Justiça por terceiros, os credores ganham o direito de assumir o controle da SME que centraliza as transmissões. Nesse cenário, os times não teriam poder de veto ou participação na mudança de comando. Não se sabe publicamente quem são esses credores da operação multimilionária — o grupo inclui 27 fundos de investimentos.

O parecer da Secretaria do Futebol se baseou na Lei Geral do Esporte. A legislação restringe a gestão e a cessão dos direitos de arena a organizações esportivas que regulam a modalidade ou organizam as competições.

A manifestação sustentou que o modelo atual promove uma “financeirização” que gera opacidade na cadeia. Essa dinâmica dificulta a identificação de quem efetivamente detém o interesse econômico sobre o futebol brasileiro na ponta final.

A controvérsia já chegou à Justiça, por meio de uma ação do Amazonas Futebol Clube que contesta a validade das garantias. O clube alega que a SME empenhou valores além dos limites autorizados pela agremiação.

Paralelamente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já adota medidas preventivas. A intenção é evitar que a liga crie barreiras ou puna clubes que queiram deixar o bloco.

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Procurada, a FFU não se manifestou até o momento.

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