‘A Saúde do Brasil em 2030’: painel sobre IA debate o uso da tecnologia e o futuro do setor
Mesa que abriu o evento do Amado Mundo discutiu a IA na saúde, o potencial do Brasil na pesquisa e exaltou o trabalho da Anvisa

O primeiro painel do evento “A Saúde do Brasil em 2030: Onde Vamos Estar?”, realizado pelo Amado Mundo na manhã desta terça (8), no B Hotel, em Brasília, teve como tema “Da incorporação de novos remédios à IA na indústria: o futuro da saúde”.
Com mediação da jornalista Luiza Barufi, repórter e colunista do Amado Mundo, a mesa contou com a participação de Leonardo Bia (Novo Nordisk), Renato Porto (Interfarma), Jacson Venâncio de Barros (AWS) e Leandro Safatle (Anvisa). Além dos painéis, o evento conta com apresentações dos representantes de cinco das principais campanhas presidenciais.
Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Novo Nordisk — que patrocina o evento ao lado da Amil, com apresentação do Instituto Consenso –, destacou que de cada 10 mil moléculas pesquisadas apenas uma vira medicamento, e o processo de desenvolvimento de medicamentos leva de 10 a 15 anos.
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No entanto, existem alguns catalisadores capazes de acelerar esse processo. Um deles é a inteligência artificial. Globalmente, a farmacêutica dinamarquesa fechou acordos com a OpenIA (dona do ChatGPT) e a AWS (serviço de computação em nuvem da Amazon) para acelerar a descoberta de medicamentos.
A Saúde do Brasil: Anvisa, SUS, IA e Lei de Pesquisa Clínica
Para Bia, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) “tem feito um trabalho fantástico” em registrar novos medicamentos. “É um grande motivo de orgulho que a gente tem que ter”, afirmou. No entanto, ainda é um grande desafio fazer as terapias chegarem a quem precisa, o que passa pela incorporação de medicamentos ao SUS, um processo no Ministério da Saúde separado da aprovação pela Anvisa.
Leandro Safatle, diretor-presidente da Anvisa, disse que o primeiro semestre deste ano foi o melhor semestre em termos de produtividade da agência, em todas as demandas. “Na fila de medicamento sintético, por exemplo, até agora foi o equivalente a quase três anos de produção”, disse.
“Nós estamos trabalhando para eliminar as filas da gente até o próximo ano”, acrescentou.
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Renato Porto, presidente-executivo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), destacou a aprovação da Lei de Pesquisa Clínica, em vigor desde 2024, que criou o primeiro marco legal abrangente para pesquisas com seres humanos no Brasil.
“Nós somos um país muito grande […] um país com sistema sanitário robusto, um sistema com grandes hospitais, um sistema com universidades de altíssimo nível. Então, essas características fazem com que o Brasil seja realmente muito atraente à pesquisa pública”, disse Porto. Passado cerca de um ano e meio da aprovação da lei, oito empresas “trouxeram R$ 1,5 bilhão para a pesquisa clínica”, comentou Porto.
O Amado Mundo terá nesta quarta-feira, 9/9, outro evento sobre saúde, debatendo as políticas públicas para as doenças raras. Participe!
Porto também disse ter “certeza que a Anvisa vai acabar com a fila”, e, assim, o que deve mudar é o processo de incorporação ao SUS. “A gente precisa trazer uma governança mais qualificada, mais aprimorada”, afirmou o presidente-executivo da Infarma.
Jacson Barros, gerente de Desenvolvimento de Negócios em Saúde da AWS, destacou que as ferramentas não adiantam se ninguém souber usá-las. “A gente tem um problema crônico no Brasil. Infelizmente, os níveis de atenção (do SUS) não se falam. Você pode colocar a tecnologia que você quiser, mas não se falam. A atenção primária não conhece a atenção especializada”, explicou.
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