Reportagem

Rússia volta a competições da Fifa, após quatro anos, com seleção juvenil

Mais de quatro anos após o início da invasão da Ucrânia, Fifa diz que torneio em outubro está "aberto a todos" e Rússia já trata anúncio como convite para retorno

25/06/2026 às 13:44 · Atualizado há 4 meses
Rússia volta a competições da Fifa, após quatro anos, com seleção juvenil
Gianni Infantino, presidente da Fifa (Ulrik Pedersen/Nurphoto via AFP)

Pouco mais de quatro anos após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, a Fifa indicou nesta quinta-feira (25) que está abrindo caminho para a participação russa em uma competição internacional de categorias de base.

Ao anunciar sua “Copa do Mundo e Festival” sub-15, que será realizada no Azerbaijão entre 22 e 31 de outubro, a entidade que governa o futebol mundial afirmou que o torneio estará aberto a todos.

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Embora seleções e clubes russos estejam banidos de competições internacionais desde 2022, a Fifa nunca suspendeu a filiação da federação russa de futebol.

Um porta-voz da Fifa evitou mencionar diretamente a Rússia ao falar com a AFP, mas confirmou que o torneio “está aberto a todas as associações membros da Fifa” e destacou que o formato da competição e os detalhes sobre os participantes seriam anunciados posteriormente.

A Rússia interpretou imediatamente a declaração como um convite para seu retorno.

“Saudamos a decisão da Fifa de permitir que a seleção russa participe da Copa do Mundo e do Festival Fifa Sub-15, que será realizado no Azerbaijão em outubro de 2026. Este é um passo importante para o retorno das equipes russas ao esporte internacional”, publicou o ministro do Esporte russo, Mikhail Degtyarev, em redes sociais.

A medida parece fazer parte de um afrouxamento gradual das restrições impostas a atletas russos e bielorrussos.

Em maio, o Comitê Olímpico Internacional (COI) recomendou o fim das restrições aos atletas bielorrussos — permitindo que compitam sob bandeira e hino nacionais e participem de modalidades coletivas —, enquanto recomendou que as restrições aos atletas russos permanecessem em vigor.

Após serem banidos em fevereiro de 2022, os atletas russos foram reintegrados sob bandeira neutra em março de 2023, sujeitos ao cumprimento de condições específicas: competir apenas em provas individuais, não ter manifestado apoio público à invasão da Ucrânia e não ter vínculos com as forças militares ou de segurança russas.

Diversas federações esportivas internacionais — incluindo as de ginástica, judô e natação — foram além, permitindo que atletas russos e bielorrussos compitam sob suas bandeiras e hinos nacionais.

Em dezembro passado, uma cúpula que reuniu o COI e representantes de federações esportivas internacionais recomendou a reintegração de atletas dos dois países, com direito a hinos e bandeiras.

Na quarta-feira, o COI alterou o trecho da Carta Olímpica referente à neutralidade, medida interpretada por alguns observadores como uma abertura de caminho para o fim do banimento à Rússia.

Em 2023, a Uefa fez uma primeira tentativa de reintegrar as seleções juvenis russas às competições europeias de futebol — sem bandeiras, hinos ou uniformes oficiais, para evitar “punir” os jovens por “ações pelas quais somente os adultos são responsáveis”.

A entidade abandonou o plano diante de ameaças de boicote por parte de Ucrânia, Inglaterra, Polônia, Letônia, Lituânia, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Noruega e Romênia.

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