Salles diz que relação de Flávio com Vorcaro é ‘vergonhosa’ e prefere Zema e Caiado
Candidato ao Senado por São Paulo, Ricardo Salles apoiaria filho de Bolsonaro em eventual 2º turno contra Lula, mas cita conduta 'vergonhosa'

Candidato ao Senado por São Paulo pelo Novo e ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles afirmou que não votará em Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais deste ano. O motivo é o episódio em que o senador teria pedido R$ 60 milhões, parte de um montante de mais de R$ 130 milhões, ao banqueiro Daniel Vorcaro do Master para financiar o filme sobre a trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, “Dark horse“.
A declaração foi dada durante entrevista ao programa Matinal, do Amado Mundo, desta quarta-feira (29/7), que dá sequência à série de conversas com candidatos ao Senado por São Paulo. Salles já havia sido antecedido no formato por Marina Silva e Simone Tebet.
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Questionado sobre a coerência de apoiar um candidato ligado a um episódio desse tipo, Salles foi direto: disse não votar em Flávio no primeiro turno “justamente por esses problemas comportamentais” e classificou a ligação ao banqueiro como algo vergonhoso. Ainda assim, o ex-ministro fez questão de relativizar o caso diante do que considera a corrupção do governo Lula, avaliando que esta seria de escala muito maior que o valor pedido para o filme.
“Entre os dois grupos, em que pese todas essas questões comportamentais que eu repudio abertamente, francamente aqui eu acho que, ao fim e ao cabo, mais quatro anos do Lula será o caos total do país”, afirmou.
“Em 2022, muita gente importante no Brasil dizia: olha, no Bolsonaro eu não vou votar, eu vou anular. Eu não gosto do Bolsonaro, não gosto do Lula. E aí está aí a consequência prática: o Brasil explodindo”, completou.
No campo das preferências pessoais, Salles foi direto ao comparar os nomes do campo da direita.
“Acho o Zema muito mais preparado, tem experiência, foi duas vezes governador e é uma pessoa cuja conduta é impecável. O próprio Ronaldo Caiado, uma pessoa também muito mais preparada, fez um trabalho espetacular no estado de Goiás”, avaliou.
Já sobre a indicação de Flávio, Salles atribuiu a escolha a uma decisão de última hora do próprio Jair Bolsonaro, em detrimento de uma candidatura que era tida como provável do Tarcísio de Freitas.

As ‘outsiders’ da disputa em SP
Ao comentar a concorrência na disputa pelas duas vagas no Senado de São Paulo, Salles questionou porque Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) se candidataram pelo estado.
“Eu sou paulista com ‘P’ maiúsculo, ao contrário das outras duas candidatas, Simone e Marina, que não sabem nada, não conhecem nada do nosso estado”, disse, citando sua passagem pela Secretaria de Meio Ambiente do estado e pelo Ministério do Meio Ambiente como credenciais para representar o eleitorado paulista no Senado.
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“Marina, embora tenha carreira política no seu estado, foi reprovada pelo eleitorado do Acre e teve que sair do Acre porque lá não se elegeria mais. Simone também tinha carreira no Mato Grosso do Sul e teve que abandonar. Segundo ela própria diz num vídeo, ela lá não se elege nem síndica de prédio.”
A conclusão, para o candidato, seria direta: “quem conhece a Marina não vota. Quem conhece a Simone também não vota.”
Questionado sobre candidatos que disputam vagas fora de seus estados de origem — caso de Tarcísio de Freitas em São Paulo e de Carlos Bolsonaro, que migrou do Rio para concorrer ao Senado por Santa Catarina —, Salles fez uma distinção. Para ele, os casos de Marina e Simone equivalem ao de Carlos Bolsonaro, mas não Tarcísio.
“O Tarcísio é diferente, ele não tinha carreira política no Rio de Janeiro e nem em lugar nenhum. Ele é um carioca que morou vários lugares do Brasil e, quando foi iniciar a trajetória na política, Bolsonaro pediu que concorresse a governador de São Paulo”.
A fragmentação da direita no Senado
Sobre a pulverização de candidaturas de direita ao Senado paulista, Salles concentrou fogo em André do Prado (PL), classificando-o como o responsável por dividir o campo.
“Ele não deveria ser candidato. Ele não é de direita, não tem nenhuma história na direita. Só virou candidato ao Senado porque o Tarcísio não o quis como candidato a vice governador.”
O político do Novo ainda rejeitou os números da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29), que o colocava com 4% das intenções de voto ao Senado por São Paulo, empatado com Paulinho da Força (Solidariedade). Ele contestou especialmente a inclusão de Pablo Marçal, hoje inelegível, entre os nomes pesquisados.
“Essa pesquisa está maculada de um vício de origem: o Pablo Marçal não é candidato. Esses 9% que são atribuídos ao Pablo Marçal saíram muito provavelmente de eleitores que em geral declarariam voto no Guilherme Derrite ou em mim.”
O contrabando de madeira e o “passar a boiada”
Réu num processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal relacionado a um suposto esquema de contrabando de madeira extraída da Amazônia durante sua gestão no Ministério do Meio Ambiente, Salles negou qualquer irregularidade.
“Não havia contrabando de madeira nenhuma. O presidente do Ibama fez o trabalho dele de interpretar uma norma.” Ele citou ainda um parecer do próprio Ministério Público, que teria recomendado sua absolvição: “nós investigamos. Ao fim e ao cabo, não tem nada contra Ricardo Salles. Pedimos a absolvição do Ricardo Salles.”
Cobrado sobre a repercussão da frase dita em reunião ministerial do governo Bolsonaro — na qual defendia aproveitar o momento da pandemia para “passar a boiada” e flexibilizar normas ambientais —, Salles reafirmou o conteúdo da declaração, ainda que criticando o tom.
“Naquela reunião eu disse que era a oportunidade que nós tínhamos de fazer o dever de casa”, relembrou, explicando que o recado era voltado aos próprios ministros.
Ainda, emendou que a intenção era reduzir entraves regulatórios que desincentivam o setor privado em todas as áreas da economia, não apenas na ambiental. Segundo ele, o diagnóstico seguiria válido hoje, agravado pela gestão petista.
“Infelizmente, hoje em dia está pior ainda do que na época do Bolsonaro. O mundo inteiro nos critica dizendo que o Brasil é o inferno do empreendedor.”