Entrevista

Banco Master: onde tem dinheiro público, não pode ter sombra, analisa ex-interventor no DF

Atual presidente da ABDI, Ricardo Cappelli comenta as revelações de Daniel Vorcaro à PF sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB

02/02/2026 às 06:00 · Atualizado há 7 meses
Sede do Banco Master, em São Paulo, tem sua logo coberta por plástico e tapumes na porta após escândalo bilionário no sistema financeiro do país (Foto NELSON ALMEIDA / AFP)

O sistema financeiro e a política do Distrito Federal foram sacudidos recentemente por novos detalhes em torno das tratativas da venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). O pivô da controvérsia é o depoimento de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, à Polícia Federal. Segundo ele, houve uma reunião com o governador do DF, Ibaneis Rocha, com o objetivo de articular a operação de venda da carteira de crédito ou da própria instituição.

Análise: O que diz a nota de Fachin em torno do Banco Master

A transação, no entanto, não foi adiante. O Banco Central, exercendo seu papel de órgão regulador, barrou a operação após análises técnicas de conformidade e riscos. O episódio levanta questionamentos profundos sobre a governança de bancos públicos e os limites das relações entre o Executivo e interesses privados de grande escala.

Para analisar as implicações institucionais e os riscos à integridade pública, o Matinal entrevistou Ricardo Cappelli, atual presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e figura central na recente história política do DF como ex-interventor federal.

Como o senhor avalia esse cenário?

Ricardo Cappelli: É fundamental que haja transparência absoluta nessas relações. Quando um empresário afirma ter se reunido com um governador para tratar de uma operação financeira dessa magnitude, que depois é barrada pelo órgão regulador, acende-se um alerta sobre a governança das instituições públicas no DF.

Houve falha nos mecanismos de controle?

Ricardo Cappelli: O Banco Central cumpriu o seu papel de xerife do sistema financeiro. Se a operação foi barrada, é porque os critérios técnicos e de conformidade não foram atendidos. O que não se pode admitir é que o interesse público seja colocado em segundo plano em mesas de negociações políticas.

Qual sua visão sobre o uso de instituições como o BRB para esses fins?

Ricardo Cappelli: Bancos públicos são instrumentos de desenvolvimento, não podem ser usados como ferramentas de balcão de negócios para grupos específicos. A tentativa de venda de um banco privado para um ente estatal exige uma justificativa pública impecável, o que parece não ter sido o caso aqui.

E quanto ao envolvimento direto do governador citado nos depoimentos?

Ricardo Cappelli: As instituições de controle precisam de autonomia para investigar. O Brasil avançou muito nos mecanismos de compliance; é preciso que a luz seja lançada sobre esses encontros. Onde há dinheiro público e decisões de Estado, não pode haver sombra.

Assista à íntegra da entrevista com Ricardo Cappeli ao Matinal:

PLAYLISTS
PUBLICIDADE
Publicidade