Relator vota contra suspeição de Paulo Gonet no caso do banco Master
Francisco Sanseverino rejeita investigar o procurador-geral da República por suas relações com Daniel Vorcaro

O subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, relator do caso de Paulo Gonet no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), votou nesta sexta (25/9) contra a suspeição do Procurador-Geral da República por suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.
Um relatório da Polícia Federal registra uma foto de Gonet ao lado de Vorcaro em Londres, em abril de 2024. O procurador-geral e outros dois homens estão segurando charutos.
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Gonet também é citado em mensagens trocadas por Vorcaro com o advogado Ciro Soares. Ciro encaminhava a Vorcaro mensagens do PGR. Em uma delas, de março de 2025, Gonet disse estar com “saudade” de Vorcaro.
Em outra mensagem, Ciro Soares fala a Vorcaro: “O Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres?”. Vorcaro respondeu: “óbvio, né”.
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Deputados pedem impedimento de Paulo Gonet
Na sessão de hoje, transmitida ao vivo pelo YouTube, Sanseverino citou uma notícia-crime protocolada pelo partido Novo, alegando que o procurador-geral deveria se declarar suspeito no caso Master, por três motivos: ser amigo íntimo de Vorcaro; ter recebido presentes, como viagem internacional; e ter interesse no julgamento do processo, já que pediu a nulidade da investigação da Polícia Federal no caso.
Separadamente, deputados federais do Novo enviaram ofício ao CSPMPF pedindo a declaração expressa de impedimento do PGR, e a “designação imediata e urgente de Subprocurador-Geral da República para atuar com imparcialidade e independência funcional em investigações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro que envolvam o Procurador-Geral da República”.
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Sanseverino rejeitou os argumentos apresentados pelo Novo. Afirmou que a Polícia Federal não encontrou no celular de Vorcaro contato salvo com o nome de Gonet. Isso é verdade: pelas mensagens publicadas, Gonet se comunicava com Vorcaro por meio do advogado Ciro Soares.
Sanseverino disse ainda que o encontro em Londres com charutos foi “isolado” e “superficial”.
“Eventual impedimento ou suspeição do PGR naqueles autos deveria ser arguida naqueles autos perante o Supremo Tribunal Federal”, disse Sanseverino. “A conclusão é essa: não conheço dos pedidos de afastamento, e indefiro o pedido de instauração [de investigação]”, Sanseverino.
A decisão final será tomada com os votos dos outros 8 conselheiros.