O que a ata do Copom revela sobre o corte de juros em meio a um cenário adverso
Documento destaca inflação acima da meta, expectativas desancoradas e riscos elevados como razões para reduzir juros em ritmo lento

A decisão de reduzir a Selic na última reunião ocorreu apesar de a ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de junho, divulgada nesta terça-feira (23/6), registrar mais fatores de pressão inflacionária do que sinais de desaceleração da economia no cenário atual. O documento destaca a inflação acima da meta, as expectativas desancoradas, a resiliência do mercado de trabalho e os riscos externos e fiscais elevados.
A justificativa para o corte se apoiou nos sinais de moderação da atividade econômica, na desaceleração do crédito e em evidências de que a política monetária já vem produzindo efeitos para controlar a demanda agregada.
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O comitê também ressalta que o cenário se deteriorou desde a reunião anterior, que as projeções de inflação seguem acima da meta e que o balanço de riscos permanece mais elevado do que o usual.
Ainda assim, o Banco Central optou por reduzir a taxa básica de juros para 14,25% ao ano. A principal justificativa foi a avaliação de que a autoridade monetária não deve reagir integralmente a aumentos de preços provocados por choques de oferta.
Inflação ainda preocupa e trava redução de juros
Segundo a ata, a alta recente da inflação reflete, em parte, os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o petróleo e outras incertezas ainda difíceis de mensurar, como os possíveis impactos climáticos associados ao El Niño.
Nesse contexto, o Copom concluiu que um corte moderado dos juros permanecia compatível com a convergência da inflação para a meta até o quarto trimestre de 2027 e que a decisão suavizaria as flutuações do nível de atividade econômica e de fomento do pleno emprego.