Quanto vale comprar uma briga com Trump?
Ofensiva contra a Venezuela coloca países diante de um dilema: condenar a violação do direito internacional sem entrar na mira de Washington

A pergunta que paira sobre Brasília, e sobre boa parte da comunidade internacional, não é apenas se a ação dos Estados Unidos na Venezuela violou o direito internacional, já que isso parece relativamente consensual.
A questão mais incômoda é outra: quanto vale, politicamente, comprar uma briga com Trump?
A reação global à captura de Nicolás Maduro foi marcada por notas duras no discurso, mas tímidas na prática. O Conselho de Segurança da ONU se reúne agora sob a sombra do veto, o multilateralismo mostra sinais de esgotamento e até atores diretamente afetados, como China e Rússia, optam por críticas cuidadosas. Ninguém quer liderar um enfrentamento direto com Washington.
No Brasil, a equação é mais delicada
O governo Lula condenou a ação americana como uma “afronta gravíssima” e evocou os piores momentos da interferência dos Estados Unidos na América Latina. Ao mesmo tempo, evitou personalizar o ataque a Trump ou escalar o conflito.
O país anda sobre uma corda bamba: preservar o discurso histórico de defesa da soberania e do direito internacional sem provocar retaliações em um cenário global já instável e pós-tarifaço.
Há ainda o cálculo doméstico. Parte da direita brasileira celebrou a ofensiva contra Maduro, enquanto o governo carrega um teto de vidro por anos de complacência com o chavismo.
No plano externo, o temor é claro: quem garante que a Venezuela é o último alvo? Em um mundo onde o “quintal” volta ao vocabulário geopolítico, a cautela virou estratégia, ainda que ao custo de um silêncio constrangido.
Assista ao comentário completo de Beatriz Bulla no Matinal desta segunda-feira (5):